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Auto de fé de Barcelona

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Auto de de Barcelona foi uma expressão notabilizada por Allan Kardec para se referir à queima, em praça pública, de trezentos livros espíritas, realizada no dia 9 de outubro de 1861 em Barcelona, Espanha. Foi utilizada pela primeira vez no subtítulo do artigo "O resto da Idade Média", publicado em novembro daquele ano na "Revue Spirite".

História

Maurice Lachâtre, editor francês, achava-se estabelecido em Barcelona com uma livraria, quando solicitou a Kardec, seu compatriota, em Paris, uma partida de livros espíritas, para vendê-los na Espanha.

Quando os livros chegaram ao país, foram apreendidos na alfândega, por ordem do Bispo de Barcelona, Antonio Palau Termes (1857–1862), sob a alegação de que "A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países".[1] O mesmo eclesiástico recusou-se a reexportar as obras apreendidas, condenando-as à destruição pelo fogo.

O "auto de fé" ocorreu na esplanada de Barcelona, às 10h30 da manhã. Conforme lista oficial transcrita na "Revue Spirite", foram queimados os seguintes títulos:

  • "Revue Spirite", dirigida por Allan Kardec;
  • "A Revista Espiritualista", dirigida por Piérard;
  • "O Livro dos Espíritos", por Allan Kardec;
  • "O Livro dos Médiuns", por Allan Kardec;
  • "O que é o Espiritismo?", por Allan Kardec;
  • "Fragmento de sonata", atribuído ao Espírito de Mozart;
  • "Carta de um católico sobre o Espiritismo", pelo doutor Grand;
  • "A História de Jeanne d'Arc", atribuído a Joana d'Arc pela médium Ermance Dufaux;
  • "A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta", pelo barão de Guldenstubbé.

A mesma fonte informa terem assistido ao evento:

  • um padre, com as roupas sacerdotais, trazendo a cruz numa mão e a tocha na outra;
  • um notário encarregado de redigir a ata do auto de fé;
  • o escrevente do notário;
  • um funcionário superior da administração da alfândega;
  • três serventes da alfândega, encarregados de manter o fogo;
  • um agente da alfândega representando o proprietário das obras condenadas pelo bispo; e
  • uma multidão, que vaiava o religioso e seus auxiliares aos gritos de "Abaixo a inquisição!"

O evento causou viva impressão por meio da imprensa de todo o mundo à época, evocando as antigas fogueiras do Santo Ofício, chamando a atenção para as obras espíritas.

Kardec, em decorrência deste episódio, comentou:

"Graças a esse zelo imprudente, todo o mundo, em Espanha, vai ouvir falar do Espiritismo e quererá saber o que é; é tudo o que desejamos. Podem-se queimar os livros, mas não se queimam as ideias; as chamas das fogueiras as super-excitam em lugar de abafá-las. As ideias, aliás, estão no ar, e não há Pirenéus bastante altos para detê-las; e quando uma ideia é grande e generosa, ela encontra milhares de peitos prontos para aspirá-la."[1]

Referências

  1. a b KARDEC, Allan. "O resto da Idade Média", in "Revue Spirite", novembro de 1861.(Disponível em Espírito.org)

Ver também


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