Do Cativeiro Babilônico da Igreja - Wikiwand
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Do Cativeiro Babilônico da Igreja

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Frontispício de uma edição em latim.
Frontispício de uma edição em latim.

Do Cativeiro Babilônico da Igreja (português brasileiro) ou Do Cativeiro Babilónico da Igreja (português europeu) (em latim: De Captivitate Babilonica Ecclesiae), de outubro de 1520, foi o segundo dos três grandes tratados publicados por Martinho Lutero em 1520, logo após "À Nobreza Cristã da Nação Alemã" (agosto) e antes de "Sobre a Liberdade do Cristão" (novembro). Trata-se de um tratado teológico e, como tal, foi publicado em latim e depois traduzido para o alemão.

Conteúdo

O tom da obra é irado e é um ataque direto ao papado. Embora Lutero tenha esbarrado no tema em "À Nobreza Cristã...", esta foi a primeira vez que ele acusou diretamente o papa de ser Anticristo. Sua publicação marcou uma radicalização do discurso de Lutero, que apenas um ano antes havia defendido a validade dos sacramentos e agora passou a atacá-los. No decorrer do texto ele examina os sete sacramentos da Igreja Católica à luz de sua interpretação da Bíblia.

O título da obra faz referência ao fato de que a administração dos sacramentos pela Igreja Católica era feita pela força do opus operatum (ou seja, com a crença de que a mera participação no batismo e na missa iriam trazer a graça de Deus sobre as pessoas) e extinguia a necessidade de fé. Essa prática tirava a igreja de sua "terra" (ou seja, da salvação pela fé somente) e a levava a um cativeiro (o cativeiro das obras). Lutero diz:

"De tudo isso, vemos quão grande a ira de Deus tem sido, que permitiu que nossos ímpios mestre nos ocultassem as palavras do testamento e assim, se possível, até mesmo extinguir a fé. É evidente o que se segue à extinção da fé, a saber, as mais ímpias superstições a respeito das obras. Pois quando a fé perece e a palavra silencia, mesmo obras justas e tradições de obras se levantam no lugar dela. Por meio dessas coisas, fomos removidos da nossa terra, como que em um cativeiro na Babilônia, e tudo o que nos era caro foi tirado de nós." [1]

Sobre a eucaristia, Lutero defende a restauração a restauração do consumo do vinho pelos leigos, descarta a doutrina católica da transubstanciação, afirma a presença real do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia e rejeita a doutrina de que a missa é um sacrifício oferecido a Deus ou uma boa ação.

Com relação ao batismo, Lutero afirma que ele só leva à justificação se vier juntamente com a fé salvadora do recebedor; porém, ele reafirma o batismo como a fundação da salvação mesmo para aqueles que possam depois se desviar da fé ("cair")[2] antes de serem resgatados. Sobre a confissão, sua essência consiste nas palavras da promessa (absolvição) recebida pela fé.

Apenas estes três podem ser considerados como sacramentos por causa de sua instituição divina e das promessas divinas de salvação relacionadas a eles. Mas, de forma mais estrita, apenas o batismo e a eucaristia são sacramentos, uma vez que apenas eles tem "sinais visíveis divinamente instituídos": a água no batismo e o pão e o vinho na eucaristia[2].

Sobre os demais, a crisma, o matrimônio, a ordem e a unção dos enfermos, Lutero afirmou não se tratarem de sacramentos.

Influência

Embora tenha sido publicada em latim, uma tradução foi rapidamente disponibilizada em alemão por um adversário de Lutero, o franciscano de Estrasburgo Thomas Murner. Ele acreditava que ao tornar pública a natureza radical das crenças de Lutero, o povo iria perceber o quão tolo era segui-lo. Na realidade, o que aconteceu foi o inverso e a tradução de Murner ajudou a espalhar a visão de Lutero por toda a Alemanha. A virulência da linguagem de Lutero, porém, desagradou alguns: depois da publicação desta obra, com sua dura condenação do papado, o renomado humanista Erasmo, que havia antes apoiado cautelosamente suas atividades, se convenceu de que não poderia mais apoiar o clamor por mudanças de Lutero.

Referências

  1. LUTERO, Martinho (2016). As 95 Teses e a Essência da Igreja. São Paulo: Vida. p. 66 
  2. a b Schaff-Herzog, "Luther, Martin," 71.

Bibliografia

  • Pelikan, Jaroslav; Lehmann, Helmut T (1955–76). Luther’s Works (em inglês). 36. Saint Louis, Philadelphia: [s.n.]  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda); Verifique data em: |ano= (ajuda)
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