O Espírito da Verdade (espiritismo) - Wikiwand
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O Espírito da Verdade (espiritismo)

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Em Espiritismo, o Espírito da Verdade[1] ou o Espírito de Verdade[2][3][4][5][6][7] é um espírito citado nas obras de Allan Kardec. A citação ocorre, primeiramente, em O Livro dos Espíritos, no último parágrafo dos prolegômenos, onde os participantes ativos da obra (personalidades já desencarnadas) são apresentados.

...Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz.
São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc., etc.[2] [3]

Muitos[1] sustentam que o Espírito da Verdade seria de fato o Espírito guia (mentor espiritual) de uma falange de espíritos ou a própria falange de espíritos que firmaram os conceitos da codificação espírita; enquanto outros[4] afirmam que ele seria o próprio Jesus Cristo. Este teria usado o pseudônimo “O Espírito da Verdade” para autografar as mensagens psicografadas nas obras básicas do Espiritismo. Para corroborar essa afirmação, dizem que O Espírito da Verdade teria se manifestado isoladamente em várias comunicações contidas no Evangelho Segundo o Espiritismo. Em outras tantas comunicações os espíritos presentes não se identificavam como O Espírito da Verdade e sim como nomes de grandes personalidades históricas, mensageiros de Jesus. A tomar como exemplo Santo Agostinho, São Luiz, Fénelon, entre outros...

Jesus afirmou «Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim.» (João 14:6)

Jesus afirmou também «Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir» (João 16:12-13)

No livro O espírito da verdade,[8] de Chico Xavier e Waldo Vieira, ditado por diversos espíritos, o verbete "espírito da verdade" aparece apenas uma vez no livro sendo utilizado em letras minúsculas no seguinte contexto: "Nele se refletem os pensamentos daqueles servos menores de teus Servos Maiores, aos quais confiaste, em círculos mais estreitos de ação, a sublime tarefa de reviver o espírito da verdade, nos tempos calamitosos de transição que o Planeta atravessa". Porém nas obras de Allan Kardec o espírito que teria se apresentado a ele como sendo "A Verdade" e que teria participado ativamente da Codificação Espírita é sempre citado em letras maiúsculas tanto nas versões em português[2][3][5][6][7] quanto nas versões em francês.[9] Atualmente a Federação Espírita Brasileira,[2][5][6][7] dentre outras editoras,[3] utiliza o nome O Espírito de Verdade em suas obras para se referir ao Espírito que é citado nas obras de Allan Kardec.

O Espírito da Verdade na codificação espírita

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, temos:

  • no capítulo I, item 7:[5]

Assim como o Cristo disse: "Não vim destruir a lei, porém cumpri-la", também o Espiritismo diz: "Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra.

  • no capítulo VI, item 5 (Advento do Espírito da Verdade), temos a mensagem do Espírito da Verdade:[5]

Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis." Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! pois que a morte é a ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro. Homens fracos, que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afasteis o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai. Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades.Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! Nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." - O Espírito da Verdade. Paris, 1860.”

O Livro dos Médiuns

Em O Livro dos Médiuns de Allan Kardec, no capítulo IV, item 48,[6] temos:

Sistema unispírita, ou mono-espírita.

Como variedade do sistema otimista, temos o que se baseia na crença de que um único Espírito se comunica com os homens, sendo esse Espírito o Cristo, que é o protetor da Terra. Diante das comunicações da mais baixa trivialidade, de revoltante grosseria, impregnadas de malevolência e de maldade, haveria profanação e impiedade em supor-se que pudessem emanar do Espírito do bem por excelência. Se os que assim o creem nunca tivessem obtido senão comunicações inatacáveis, ainda se lhes conceberia a ilusão. A maioria deles, porém, concordam em que têm recebido algumas muito ruins, o que explicam dizendo ser uma prova a que o bom Espírito os sujeita, com o lhes ditar coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao diabo, que pode dizer coisas excelentes para tentar, pensam outros que só Jesus se manifesta e que pode dizer coisas detestáveis, para experimentar os homens. Entre estas duas opiniões tão opostas, quem sentenciará? O bom-senso e a experiência. Dizemos: a experiência, por ser impossível que os que professam idéias tão exclusivas tudo tenham visto e visto bem.
Quando se lhes objeta com os fatos de identidade, que atestam, por meio de manifestações escritas, visuais, ou outras, a presença de parentes ou conhecidos dos circunstantes, respondem que é sempre o mesmo Espírito, o diabo, segundo aqueles, o Cristo, segundo estes, que toma todas as formas. Porém, não nos dizem por que motivo os outros Espíritos não se podem comunicar, com que fim o Espírito da Verdade nos viria enganar, apresentando-se sob falsas aparências, iludir uma pobre mãe, fazendo-lhe crer que tem ao seu lado o filho por quem derrama lágrimas. A razão se nega a admitir que o Espírito, entre todos santo, desça a representar semelhante comédia. Demais, negar a possibilidade de qualquer outra comunicação não importa em subtrair ao Espiritismo o que este tem de mais suave: a consolação dos aflitos? Digamos, pura e simplesmente, que tal sistema é irracional e não suporta exame sério.”

A Gênese

Em A Gênese de Allan Kardec, temos:

  • no capítulo I, item 42,[7] pg. 46:

Demais, se se considerar o poder moralizador do Espiritismo, pela finalidade que assina a todas as ações da vida, por tornar quase tangíveis as conseqüências do bem e do mal, pela força moral, a coragem e as consolações que dá nas aflições, mediante inalterável confiança no futuro, pela idéia de ter cada um perto de si os seres a quem amou, a certeza de os rever, a possibilidade de confabular com eles; enfim, pela certeza de que tudo quanto se fez, quanto se adquiriu em inteligência, sabedoria, moralidade, até à última hora da vida, não fica perdido, que tudo aproveita ao adiantamento do Espírito, reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito da Verdade que preside ao grande movimento da regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador.

  • no capítulo XVII, item 37,[7] pg. 490:

As religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda a verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si a complementação ulterior de seus ensinamentos.

  • no capítulo XVII, item 39,[7] pg. 492:

O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito da Verdade.

O Espírito da Verdade nas obras complementares de Allan Kardec

Revista Espírita

Nas Revistas Espíritas, de Allan Kardec, temos:

Não poderíeis crer o quanto estou orgulhoso em distribuir, a todos e a cada um, os elogios e os encorajamentos que o Espírito da Verdade, nosso mestre bem amado, me ordenou conceder às vossas piedosas coortes: a ti, Diloud, a ti, sua digna companheira e a todos vossos devotados missionários que derramais os benefícios do Espiritismo, obrigado pelo vosso concurso e pelo vosso zelo.”

  • Revista Espírita de 1864, pág.16, no texto Um caso de Possessão – Senhorita Julie, o Espírito Hahnemann relata:

Essas obsessões freqüentes terão também um lado muito bom, naquilo que sendo penetrada pela prece e pela força moral, pode-se fazê-la cessar e adquirir o direito de expulsar os maus Espíritos, cada um procurará, pela melhoria de sua conduta adquirir esse direito que o Espírito da Verdade, que dirige este globo, conferirá quando for merecido. Tende fé e confiança em Deus, que não permite que se sofra inutilmente e sem motivo.”

  • Revista Espírita de 1864, pág. 399, O Espírito da Verdade, na Comunicação Espírita, afirma:

Há várias moradas na casa de meu Pai, eu lhes disse há dezoito séculos. Estas palavras o Espiritismo veio fazer compreendê-las. E vós, meus bem-amados, trabalhadores que suportais o ardor do dia, que credes ter a vos lamentar da injustiça da sorte, bendizei vossos sofrimentos; agradecei a Deus que vos dá os meios de quitar as dívidas do passado; orai, não dos lábios, mas do vosso coração melhorado, para vir tomar, na casa de meu Pai a melhor morada; porque os grandes serão rebaixados; mas, vós o sabeis, os pequenos e os humildes serão elevados.”

  • Revista Espírita de 1866, pág. 222, no texto Qualificação de Santo aplicada a certos espíritos, se ensina:

O espírito que ditou a comunicação acima é, pois, muito absoluto no que concerne a qualificação de santo, e não está na verdade dizendo que os Espíritos superiores se dizem simplesmente Espíritos da Verdade, qualificação que não seria senão um orgulho mascarado sob outro nome, e que poderia induzir em erro se tomado ao pé da letra, porque ninguém pode se gabar de possuir a verdade absoluta, não mais do que a santidade absoluta. A qualificação de Espírito da Verdade, não pertence senão a um e pode ser considerada como nome próprio; ela é especificada no evangelho. De resto, esse Espírito se comunica raramente, e somente em circunstâncias especiais; deve-se manter em guarda contra aqueles que se apoderam indevidamente desse título: são fáceis de se reconhecer, pela prolixidade e pela vulgaridade de sua linguagem.”

  • Revista Espírita de 1867, pág 271, no texto Caracteres da Revelação Espírita, descreve-se:

Ora, como é o Espírito da Verdade que preside ao grande movimento de regeneração, a promessa de seu advento se encontra do mesmo modo realizada, porque, por conseqüência, ele é que é o verdadeiro Consolador.

  • Revista Espírita de 1868, pág.49, o Espírito Lamennais, no texto Espíritos Marcados, esclarece:

Sim, meus filhos, o povo caminhará mais depressa na nova mensagem anunciada pelo próprio Cristo, e todos virão escutar essa divina palavra, porque nela reconhecerão a linguagem da verdade e o caminho da salvação. Deus que permitiu esclarecer, sustentar vossa caminhada até esse dia, nos permitirá ainda vos dar as instruções que vos são necessárias.”

  • Revista Espírita de 1868, pág. 51, o Espírito Erasto, no texto Futuro do Espiritismo, informa:

Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo, a verdadeira conquista de um futuro próximo. Caminhai, pois, em vosso caminho imperturbavelmente, sem vos preocupar com as zombarias de uns e amor-próprio ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do Espírito da Verdade, meu senhor e o vosso.”

Obras Póstumas

Em Obras Póstumas de Allan Kardec, na segunda parte, temos Perguntas de Kardec, páginas 331,334 e 335:

Resposta: Sobre isso não pode haver dúvida; será ele quem virá receber-te e felicitar-te, se houveres desempenhado bem tua tarefa.
  • Meu espírito familiar, quem quer que tu sejas, agradeço-te o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem és?
Resposta: Para ti chamar-me-ei A VERDADE e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.
  • Terás animado na terra alguma personagem conhecida?
Resposta: Já te disse que, para ti sou A VERDADE; isto, para ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito.

Referências

  1. a b «Cópia arquivada». Consultado em 21 de novembro de 2013. Arquivado do original em 17 de julho de 2014 
  2. a b c d http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/135.pdf. Páginas 68 a 71
  3. a b c d Kardec, Allan (2011). «Prolegômenos». O Livro dos Espíritos. Original: Livre des Esprits (francês); tradução de Guilon Ribeiro com adaptações e correções 2ª ed. São José do Rio Preto-SP: Virtude Livros. p. ???. ISBN 9788564365001 
  4. a b «Cópia arquivada». Consultado em 21 de novembro de 2013. Arquivado do original em 10 de dezembro de 2013 
  5. a b c d e O Evangelho Segundo o Espiritismo. Páginas 64—65, 158—159.
  6. a b c d http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/136.pdf. Páginas 74/5
  7. a b c d e f Kardec, Allan (2005). A Gênese (PDF). Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Col: Obras de Allan Kardec. Traduzido do original em franês "La Genèse" (1868), por Dr. Guillon Ribeiro. [S.l.]: FEB. pp. 46, 490—492. Consultado em 21 de novembro de 2013 
  8. «O espírito da verdade, de Chico Xavier e Waldo Vieira, ditado por diversos espíritos» (PDF). Consultado em 16 de outubro de 2014 
  9. «L'EVANGILE SELON LE SPIRITISME» (PDF). Consultado em 16 de outubro de 2014 

Livros em domínio público

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