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Tetrahidrocanabinol

composto químico Da Wikipédia, a enciclopédia livre

Tetrahidrocanabinol
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Tetrahidrocanabinol (do inglês Tetrahydrocanabinol; THC, Δ9-THC, Δ9-Tetrahidrocanabinol, delta-9-tetrahidrocanabinol) ou na linguagem técnica, tetra-hidrocanabinol,[3] é a principal substância psicoactiva encontrada nas plantas do gênero Cannabis.[4] Pode ser obtida por extracção a partir dessa planta ou por síntese em laboratório.

Factos rápidos Nomes, Identificadores ...

O Δ9-THC (conhecido segundo uma anterior convenção de nomenclatura como Δ¹-THC) foi isolado na forma pura pela primeira vez em 1964 por Raphael Mechoulam, Yechiel Gaoni e Habib Edery no Instituto Weizmann em Rehovot, Israel, através da extracção a partir do haxixe com éter de petróleo, seguido de repetidas cromatografias.[5]

É discutido até que ponto este composto é responsável pelos efeitos verificados com o consumo da planta. Um estudo não encontrou diferenças nos efeitos subjetivos entre a maconha e o THC puro,[6] mas críticas a esse estudo apontam para que tenha sido usada maconha de fraca qualidade e parcialmente deteriorada, que não mantinha os componentes normais de terpenoides e flavonoides tais como canabinol (CBN) e canabidiol (CBD), defendendo que os efeitos do consumo da planta não se devem só ao THC.[7]

Na utilização clínica de Cannabis, os extractos são compostos geralmente pelos topos a florescer e com abundantes tricomas glandulares (sem sementes), com um potência de até 20% de THC.[7] Dados quanto à composição dos extractos usados para consumo recreacional são escassos devido ao facto do seu consumo ser ilegal em muitos países. Um estudo da quantidade de THC em amostras de maconha e haxixe apreendidas pela polícia italiana entre 1997 e 2004 revela valores que variam entre 0,5 e 20%, com a média a subir nos últimos anos para cerca de 13%.[8]

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Farmacocinética

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Perspectiva

Os efeitos do Δ9-THC devem-se sobretudo à sua ligação a receptores canabinoides CB1, presentes em muitas áreas do cérebro.[9] Estes receptores têm importância em diversos processos fisiológicos, tais como regulação do metabolismo, dor, ansiedade, crescimento ósseo e função imunitária.

Biodisponibilidade oral menor que por inalação (25-30%):

  • Sofre efeitos de primeira passagem, sendo metabolizado no fígado;
  • Efeito demora 1~6 horas a instalar-se, mas tem maior duração;
  • Absorção lenta e contínua no intestino;
  • Distribui-se por todo o organismo;

Absorvido por inalação atravessa os alvéolos pulmonares, entra na circulação e atinge o cérebro em minutos.

Uma vez absorvido para a corrente, as concentrações de THC diminuem rapidamente devido ao metabolismo feito pelo fígado, onde a depuração plasmática pode atingir 950 mL/min, ou à sequestração.

Acumula-se preferencialmente no tecido adiposo (devido à sua grande lipofília), atingindo o pico de concentração em 4~5 dias. É depois lentamente liberado, atingindo outros compartimentos como o cérebro.

No cérebro é distribuído de diferentes formas, alcançando concentrações mais elevadas nas áreas neocortical, límbica, sensorial e motora.

É metabolizado no fígado pela CYP 450 essencialmente a 11-hidróxi-THC (potencialmente mais potente que o THC), mas existe uma enorme variedade de metabólitos, com elevados tempos de meia-vida. Posteriormente o 11-hidroxi-THC pode ainda ser substrato da álcool desidrogenase.

Devido à sequestração, o tempo de meia-vida do THC pode variar desde 20h até 10~13 dias.

25% dos metabolitos são eliminados na urina sob a forma de éster de ácido glucurónico.

A maioria é liberada no intestino pelo fígado, e pode ser reabsorvido (circulação entero-hepática), prolongando a sua acção, ou eliminado nas fezes onde se verifica a predominância da forma não conjugada.

A eliminação total pode demorar até 30 dias.

Devido à sequestração e à existência de metabolitos activos, é difícil estabelecer uma relação entre a concentração de THC no plasma ou urina e a intoxicação.

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Interacções Farmacológicas

O THC reforça a acção sedativa de outras substâncias psicotrópicas como o álcool e as benzodiazepinas.

Reforça ainda a acção de relaxantes musculares, broncodilatadores, medicamentos antiglaucoma, da acção analgésica de opiáceos, do efeito antiemético das fenotiazinas e do efeito antiepilético das benzodiazepinas.

Inibidores da ciclo-oxigenase (COX), como os AINEs e a indometacina, antagonizam o efeito do THC.

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Usos terapêuticos

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Perspectiva

Devido às suas propriedades, os canabinoides podem ser potencialmente usados com vista à analgesia, relaxamento muscular, imunossupressão, como anti-inflamatórios, antialérgicos, sedativos, para melhorar o humor, como estimulante do apetite, antiemético, diminuidores da pressão intraocular, broncodilatação, neuroproteção e efeitos antineoplásicos.

O THC teve aprovação do FDA em 1986. Actualmente é usado um THC sintético, o dronabinol (Marinol, Unimed, Marietta, Ga., USA) com duas indicações terapêuticas: náuseas e enjoos induzidos pela quimioterapia e anorexia associada à SIDA.

Verificou-se que agonistas canabinoides inibem a proliferação celular no cancro da mama, na mulher e in vitro, e apresentam actividade antineoplásica em gliomas malignos em ratos Algumas pesquisas sugerem que o THC pode estar indicado em caso de epilepsia, depressão, distúrbio bipolar, quadros de ansiedade, dependência de opiáceos e álcool, sintomas de retirada, assim como distúrbios do comportamento na doença de Alzheimer, mas revela-se necessária uma investigação mais aprofundada.

Provas crescentes demonstram a efectividade dos efeitos do THC contra os espasmos provocados pela esclerose múltipla, lesão na medula espinhal e na síndrome de Tourette (não só diminuição dos tiques, mas também melhoria do comportamento). Verifica-se também actividade em outras desordens do movimento, como distonia.

A acção do THC no tratamento da asma e do glaucoma está praticamente confirmada.

Clinicamente, o THC é usado no tratamento das náuseas e vómitos refractários causados por medicamentos antineoplásicos, no tratamento da perda de apetite na anorexia e na caquexia em doentes com HIV/SIDA.

Toxicidade

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Perspectiva

Os benefícios terapêuticos atribuídos à Cannabis têm sido alvo de alguma relutância, uma vez que os seus efeitos adversos tendem a tornar a relação risco/benefício desfavorável ao seu uso clínico.

Toxicidade aguda

A toxicidade aguda do THC é muito baixa. A dose letal em humanos não é ainda conhecida nem há relatos comprovados de morte em seres humanos por THC ou Cannabis. A gravidade, duração e frequência destes sintomas variam com a susceptibilidade do indivíduo, com meio cultural em que este se insere e com a frequência e intensidade do consumo prévio de Cannabis.

No cérebro, o consumo agudo de Cannabis pode desencadear efeitos adversos psicóticos, cognitivos e no controlo psicomotor.

Efeitos no controle psicomotor

  • Desajustes no controle e coordenação motora
  • Redução da actividade psicomotora
  • Alterações da percepção sensorial e temporal
  • Perturbações da comunicação oral
  • Inibição do movimento(Fonte?).(fonte2?)

Efeito cognitivos

  • Dificuldades de concentração
  • Distúrbios na memória de curto prazo
  • Danos em todos os estágios da memória incluindo codificação, consolidação e recuperação
  • Dificuldades de atenção
  • Diminuição do desempenho aritmético
  • Efeitos amnésicos (relacionados com a inibição da liberação de neurotransmissores)

Efeitos Psíquicos

  • Euforia.
  • Sensação de bem-estar
  • Sonolência
  • Sedação
  • Síndrome de ansiedade
  • Despersonalização/Desrealização
  • Aumento do apetite
  • Risos

Efeitos físicos

Os efeitos físicos do THC têm menor relevância que os efeitos comportamentais, excepto nas crianças que se intoxicam por acidente. Entre outros efeitos destacam-se:

  • Taquicardia
  • Aumento da pressão diastólica associada à diminuição do tónus paras-simpático
  • Hipotensão ortostática (que causa tonturas e síncope)
  • Hipossalivação e secura da boca
  • Distúrbios de acomodação oftálmica e diminuição da reacção da pupila à luz
  • Diminuição da secreção lacrimal
  • Dores de cabeça, náuseas, vómitos
  • Relaxamento muscular

Por causar perturbações na coordenação motora, na percepção e nas funções cognitivas e afectivas, o consumo de THC pode apresentar perigos na condução de automóveis, pilotagem de aviões e utilização de máquinas.

Para um ser humano morrer devido a dose letal de tetraidrocanabinol seria necessário fumar 15.000 charros em 20 minutos (observação: charro equivale a baseado, cigarro de maconha, em português brasileiro).

Toxicidade crônica

O uso de Cannabis por longos períodos de tempo não está associado à morte de animais ou humanos, mas estão descritos diversos efeitos crónicos devido ao uso de Cannabis, efeitos estes que dependem da intensidade e duração do consumo.

Risco de fumar

O uso fumígeno de Cannabis está relacionado com a diminuição da capacidade de respiração durante o exercício físico, dificuldades respiratórias, produção de expectoração, tosse crónica. Note-se que esses sintomas devem-se principalmente à inalação de produtos de combustão da Cannabis, incluindo hidrocarbonetos policíclicos mutagénicos, e compostos químicos como a amônia, não directamente relacionados com o THC.

Efeitos psicóticos

  • Indução do aparecimento de psicoses em pacientes pré-dispostos, devido à modulação das concentrações de dopamina por acção nos receptores CB1.
  • Síndromes de confusão
  • Depressão
  • Ansiedade

Efeitos na função cognitiva

  • Danos na memória
  • Dificuldades de atenção
  • Diminuição da capacidade para organizar e integrar informação complexa
  • Tem 1% a mais de chance de desenvolver esquizofrenia de um não fumante

Existe alguma controvérsia relativa à reversibilidade dos efeitos cognitivos: alguns estudos defendem que, após um período de abstinência, os sintomas são reversíveis; outros defendem que o consumo massivo de Cannabis está associado a danos irreversíveis na performance cognitiva.

Riscos do consumo na adolescência

  • Mais efeitos tóxicos na saúde mental dos adolescentes do que em adultos
  • Maior risco de depressões
  • Síndrome de Burnout (Desmotivação), caracterizado por apatia, retraimento social e dificuldades de concentração, o que implica consequências na performance académica

Efeitos em outros órgãos

O consumo de Cannabis a longo prazo tem um impacto negativo em sistemas de órgãos incluindo o sistema imunitário e a circulação; entre outros efeitos destacam-se:

  • Influência em processos hormonais por interagir com o eixo hipotálamo-hipófise
  • Inibição da motilidade gástrica e do esvaziamento gástrico
  • Aumento do risco da progressão da fibrose na hepatite C crónica
  • Influência na resposta humoral e na resposta imunitária dos linfócitos T (estudos experimentais)
  • Decréscimo na contagem de espermatozoides; inibição da reacção do acrossoma e diminuição da motilidade dos espermatozoides (estudos in vitro)
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Referências

  1. «ChemIDplus Lite». chem.sis.nlm.nih.gov. Consultado em 8 de agosto de 2008. Arquivado do original em 24 de abril de 2014 [verificar]
  2. Grotenhermen F (2003). «Pharmacokinetics and pharmacodynamics of cannabinoids». Clin Pharmacokinet. 42 (4): 327–60. PMID 12648025
  3. bbento, Mahmod A. Issa/. «Substâncias da maconha». www.saude.ms.gov.br. Consultado em 3 de abril de 2024
  4. Takahashi RN; Zuardi AW, Karniol IG (1977). «Chemical composition of Brazilian marihuana samples and the importance of several constituents to the pharmacological activity of the plant». Revista brasileira de pesquisas médicas e biológicas. 10(6):379-85. PMID 609775
  5. Gaoni Y.; Mechoulam R. (1971). «Isolation and structure of. DELTA.+-tetrahydrocannabinol and other neutral cannabinoids from hashish» (pdf). Journal of the American Chemical Society
  6. Wachtel SR; ElSohly MA, Ross SA, Ambre J, de Wit H (2002). «Comparison of the subjective effects of Delta(9)-tetrahydrocannabinol and marijuana in humans». Psychopharmacology. 161(4):331-9. PMID 12073159
  7. Russo EB; McPartland JM (2003). «Cannabis is more than simply Δ9-tetrahydrocannabinol». Psychopharmacology. 165:431–432. PMID 12491031
  8. Lupica, CR; Riegel, AC; Hoffman, AF (2004). «Marijuana and cannabinoid regulation of brain reward circuits». British Journal of Pharmacology. 143. pp. 227–234. doi:10.1038/sj.bjp.0705931
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Bibliografia

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