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Conservadorismo cultural

ideologia política Da Wikipédia, a enciclopédia livre

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Conservadorismo cultural é descrito como a proteção do patrimônio cultural de um Estado-nação ou de uma cultura não definida pelas fronteiras nacionais.[1] Às vezes é associado à crítica ao multiculturalismo e ao sentimento anti-imigração. Por seus objetivos de protecionismo cultural contrastarem com os de antirracistas, conservadores culturais chegam a ser acusados de racismo.[2] Apesar disso, o conservadorismo cultural pode ser mais matizado na sua abordagem às línguas e culturas minoritárias; às vezes é focado aprendizagem de línguas patrimoniais ou na revitalização linguística, como do distinto dialeto local do francês em Quebec, do francês acadiano, gaélico canadiano e a língua micmac em Nova Escócia e Nova Brunswick, ou da língua irlandesa em Terra Nova. Outras vezes, o conservadorismo cultural está mais focado na preservação da cultura ancestral ameaçada de extinção de uma minoria étnica, como as dos povos nativos das Américas.

A cultura compartilhada pode ser tão divergente como a cultura ocidental ou a cultura chinesa.

O conservadorismo cultural é distinto do mero conservadorismo social, embora existam algumas sobreposições. Os conservadores sociais acreditam que o governo tem um papel em encorajar ou aplicar o que eles consideram valores ou comportamentos tradicionais. Um conservador social quer preservar a moralidade tradicional e costumes sociais, muitas vezes através da lei civil ou regulação. Mudança social é geralmente considerada como suspeita.[3] Mesmo assim, em países como os EUA, conservadorismo cultural pode implicar uma posição socialmente conservadora na guerra cultural. Porque o conservadorismo cultural expressa a dimensão social de conservadorismo de acordo com a teoria espectro político, às vezes é chamado conservadorismo social. Em vez disso, conservadorismo social descreve valores morais e sociais conservadores, ou posições conservadoras tradicionalistas sobre questões socioculturais, como aborto e matrimônio homoafetivo, em oposição ao liberalismo cultural (liberalismo social nos EUA).[4] Enquanto isso, o nacionalismo também difere do conservadorismo cultural porque nem sempre se concentra numa cultura específica.

Apesar de mais associado à direita política, como um sinônimo de conservadorismo nacional, o conservadorismo cultural também pode ser aderido pela esquerda política cética do globalismo neoliberal. Alguns exemplos são o político socialista francês Jean-Pierre Chevènement,[5] a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e seu partido (os Sociais-Democratas),[6][7] o autor e professor neerlandês membro do Partido Trabalhista Paul Scheffer,[8][9] e a política alemã Sahra Wagenknecht e seu partido (BSW – Razão e Justiça).[10][11]

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Perspectivas

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Perspectiva

Favorável

Os proponentes argumentam que o conservadorismo cultural preserva a identidade cultural de um país. Eles frequentemente promovem assimilação na cultura dominante, acreditando que o monoculturalismo é mais construtivo para a unidade nacional.[12][13] Eles afirmam que a assimilação facilita a integração de imigrantes e minorias étnicas na sociedade em geral, enquadrando o conservadorismo cultural como uma solução para conflitos étnicos.[14][15] Os pesquisadores observam que quanto mais culturalmente homogênea uma comunidade é, mais as pessoas confiam umas nas outras; uma conclusão que foi fundamentada pela literatura empírica que demonstra que a diversidade étnica e cultural está inversamente relacionada com a coesão e confiança social.[16]

Os defensores do conservadorismo cultural criticaram multiculturalismo, acreditando que o pluralismo cultural é prejudicial para uma identidade nacional unificada. Eles argumentam que diversidade cultural serve apenas para marginalizar os imigrantes, alheando-os como estranhos à sociedade. Em alguns países acredita-se que o multiculturalismo cria de fato uma segregação racial na forma de enclaves étnicos.[14][15] Oposição à imigração também é uma postura comum entre os proponentes. Os imigrantes muitas vezes trazem consigo as culturas, religiões e línguas dos seus países de origem, por vezes influenciando e mudando o país culturas dos seus países anfitriões.[17] Os defensores do conservadorismo cultural argumentam que algumas dessas práticas culturais importadas, como hijabes, poligamia, casamento infantil e mutilação genital feminina estão em conflito direto com os valores do cultura dominante.[18][19]

Contrária

Os oponentes argumentam que o conservadorismo cultural é prejudicial diversidade cultural. Criticam o conservadorismo cultural por promover a intolerância cultural, criando mentalidades etnocêntricas limitadas e autoexpressão sufocante.[20] Os oponentes citam inúmeras atrocidades históricas que se originaram de formas extremas de conservadorismo cultural, como racismo, genocídio, limpeza étnica, colonialismo e segregação racial. Eles afirmam que a assimilação cultural leva à marginalização das minorias que não se conformam com a cultura dominante.[21]

Os oponentes apoiam o multiculturalismo, acreditando que o mesmo cria uma sociedade mais diversificada e tolerante. Eles afirmam que ajuda as pessoas da maioria étnica aprender mais sobre outras culturas, adaptar-se melhor às mudanças sociais e serem mais tolerantes com a diversidade.[20] Eles também acreditam que o multiculturalismo chama mais atenção para as realizações históricas de outros grupos étnicos, que foram negligenciadas em tempos passados.[22] Apoio à imigração é também uma postura comum entre os oponentes do conservadorismo cultural, que argumentam que ela enriquece a sociedade ao contribuir com novas ideias diversas. Em alguns casos, a arte, a música, a comida ou as roupas dos imigrantes são adotados pela cultura dominante.[23]

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Ver também

Notas de rodapé

  1. Seaton, James (1996). Cultural Conservatism, Political Liberalism: From Criticism to Cultural Studies (em inglês). [S.l.]: University of Michigan Press. Consultado em 29 de julho de 2025
  2. Hawkins, Marcus (23 de fevereiro de 2018). «Cultural Conservatism». ThoughtCo (em inglês). Dotdash Meredith
  3. William, J.; J., Paul; Haire, Victor; Megal, II (15 de Março de 1988). «The Cultural Conservatives». Consultado em 14 de Julho de 2017
  4. Chideya, Farai (2004). «The Red and the Blue: A Divided America». Trust: Reaching the 100 Million Missing Voters and Other Selected Essays (em inglês). [S.l.]: Soft Skull Press. pp. 33–46. ISBN 978-1932360264
  5. «Jean-Pierre Chevènement critique "la culture du déni"». ici, le média de la vie locale (em francês). 8 de outubro de 2019. Consultado em 29 de julho de 2025
  6. Etzerodt, Søren Frank; Kongshøj, Kristian (2022). «The implosion of radical right populism and the path forward for social democracy: Evidence from the 2019 Danish national election». Scandinavian Political Studies (em inglês) (3): 279–300. ISSN 1467-9477. doi:10.1111/1467-9477.12225. Consultado em 28 de julho de 2025
  7. Axford, Barrie (2021). «Populism in Practice: Causes, Correlates and Crises». Populism Versus the New Globalization (em inglês). [S.l.]: SAGE Publications Ltd. pp. 38–39. ISBN 978-1-5297-3741-7
  8. «Dossier Multiculturele Samenleving». retro.nrc.nl (em neerlandês). 29 de janeiro de 2000. Consultado em 29 de julho de 2025
  9. Scheffer, Paul (20 de junho de 2011). Immigrant Nations (em inglês). [S.l.]: Polity. Consultado em 29 de julho de 2025
  10. «Sahra Wagenknecht, Germany's combative 'left-wing conservative'». France 24 (em inglês). 12 de janeiro de 2025. Consultado em 29 de julho de 2025
  11. Vock, Ido (8 de janeiro de 2024). «Sahra Wagenknecht: German politician launches 'left-wing conservative' party». BBC (em inglês). Consultado em 29 de julho de 2025
  12. «Report attacks multiculturalism» (em inglês). 30 de setembro de 2005. Consultado em 29 de julho de 2025
  13. Nagle, John (2009). Multiculturalism's double bind: creating inclusivity, cosmopolitanism and difference (em inglês). [S.l.]: Ashgate Publishing, Ltd. p. 129. ISBN 978-0754676072
  14. Malik, Kenan (14 de dezembro de 2015). «The Failure of Multiculturalism». Council on Foreign Relations. Foreign Affairs (em inglês) (March/April 2015)
  15. Malik, Kenan (18 de dezembro de 2001). «The trouble with multiculturalism» (em inglês). Spiked Online. Cópia arquivada em 2 de janeiro de 2002
  16. Sailer, Steve (15 de janeiro de 2007). «Fragmented future». The American Conservative (em inglês). Jon Basil Utley. Consultado em 29 de julho de 2025. Cópia arquivada em 4 de junho de 2011
  17. Chapman, Roger; Ciment, James (2015). Culture Wars: An Encyclopedia of Issues, Viewpoints and Voices (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 978-1317473510
  18. «Is Multiculturalism Bad for Women?». Boston Review (em inglês). 1 de outubro de 1997. Consultado em 29 de julho de 2025
  19. Lerman, Antony (22 de março de 2010). «In defence of multiculturalism». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 29 de julho de 2025
  20. Vertovec, Steven; Wessendorf, Susanne, eds. (2010). The multiculturalism backlash: European discourses, policies and practices (em inglês). [S.l.]: Routledge. p. 35. ISBN 9781135270667
  21. C. James Trotman (2002). Multiculturalism: roots and realities (em inglês). [S.l.]: Indiana University Press. pp. 9–10. ISBN 978-0253340023
  22. United States Bureau of the Census (1995). Celebrating our nation's diversity: a teaching supplement for grades K–12 (em inglês). [S.l.]: U.S. Dept. of Commerce, Economics and Statistics Administration, Bureau of the Census. pp. 1–
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