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Lúcio Júnio Bruto
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Lúcio Júnio Bruto (em latim: Lucius Iunius Brutus) foi um personagem lendário, considerado o fundador da República,[2] e um dos dois primeiros cônsules de Roma, em 509 a.C., juntamente com Lúcio Tarquínio Colatino.[3]
Segundo a tradição romana (talvez lendária), articulou a queda do último rei Tarquínio, o Soberbo após o estupro e martírio da jovem Lucrécia. A história foi contada por Lívio em sua obra Ab Urbe Condita e trata-se de um período da história de Roma para o qual não sobreviveram registros históricos confiáveis, uma vez que virtualmente todos os registros foram destruídos pelos gauleses durante a Batalha de Ália ou se perderam com o tempo.
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Família
Seu pai era Marco Júnio (Marcus Iunius), descendente de um dos colonos que vieram com Eneias depois da Guerra de Troia, e sua mãe era Tarquínia, filha do quinto rei de Roma, Lúcio Tarquínio Prisco[4] e irmã do sétimo, Tarquínio Soberbo. É considerado um ancestral da gente Júnia, que incluía Bruto e Décimo Júnio Bruto, dois dos conspiradores responsáveis pelo assassinato de César em 44 a.C., o evento que desencadeou as guerras que acabaram com a República, e parente de Lucrécia, a nobre que foi estuprada pelo primeiro filho do rei Lúcio Tarquínio Soberbo, Sexto Tarquínio, e o estopim da revolução.
Traição e punição
Lúcio Júnio Bruto, foi um exemplo de justiça implacável, apesar de que, ao executá-la, devesse sentir o coração partido de dor. Com efeito, tendo seus filhos tomado parte de uma conspiração com o fim de restaurar o trono dos Tarquínio, Bruto, inteirado da verdade, em vez de usar de seu poder para dar-lhes o perdão, proferiu a sentença que mereciam como traidores e, antepondo os deveres para com a pátria ao amor pela família, condenou à morte os próprios filhos. [carece de fontes]
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Contexto
Durante o tempo dos Tarquínios, o reino estendera-se até atingir cerca de 800 km², e a cidade tinha uns 35 mil habitantes. As cidades latinas reconheciam a força do rei romano e eram-lhe servis. Contudo, o ambiente em Roma não era nada amigável para estes reis etruscos. Em anos anteriores os reis convidaram as famílias nobres da cidade para que o aconselhassem, numa reunião chamada senado. Quando faleceu Sérvio Túlio, o novo rei Tarquínio recusou convocar estes nobres, e estes ofenderam-se. Nesta época foi-lhe dado o apelido de Soberbo (Superbus).
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Queda da monarquia romana
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Perspectiva

Sebastiano Ricci, 1700-1704, Galeria Nacional de Pádua, Itália
Segundo Lívio, Bruto tinha muitas reservas em relação ao seu tio rei, entre elas o fato de Tarquínio ter condenado à morte vários dos mais proeminentes romanos, incluindo seu irmão. Ele próprio evitou a desconfiança da família de Tarquínio fingindo ser lento no pensamento[5] (a palavra latina "brutus" significa "bronco").[6]
Ele acompanhou os filhos de Tarquínio numa visita ao Oráculo de Delfos. Eles perguntaram ao oráculo quem seria o próximo rei de Roma e receberam a resposta que seria a próxima pessoa a beijar "sua mãe". Bruto interpretou "mãe" como sendo a "Terra" e fingiu tropeçar para poder beijar o chão.[7] Bruto, juntamente com Espúrio Lucrécio Tricipitino, Públio Valério Publícola e Lúcio Tarquínio Colatino, foi convocado por Lucrécia a Collatia depois de ter sido estuprada por Sexto Tarquínio, o filho do rei. Lucrécia, acreditando que o crime desonrava a ela própria e a sua família, se matou esfaqueando a si própria com uma adaga depois de relatar o ocorrido ao grupo. Segundo a lenda, Bruto, ao tirar a adaga do peito de Lucrécia depois de sua morte, imediatamente clamou pela queda dos Tarquínios.[8]
Os quatro juntaram os jovens de Collatia e foram para Roma, onde Bruto, que era, na época, tribuno dos céleres (em latim: tribunus Celerum), convocou o povo até o Fórum Romano e exortou-os a se revoltar contra o rei. O povo votou pela deposição de Tarquínio e pelo banimento da família real.[9] Bruto, depois de deixar Lucrécio no comando da cidade, seguiu, acompanhado por homens armados, até o acampamento do exército romano que ficava em Ardea. O rei, que estava lá, soube dos eventos em Roma e deixou o acampamento para tentar chegar em Roma antes da chegada de Bruto. O exército recebeu Bruto como um herói e os filhos do rei foram expulsos. Soberbo, enquanto isso, não recebeu permissão para entrar em Roma e acabou fugindo com sua família para o exílio[10]
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Juramento de Bruto
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Segundo Lívio, o primeiro ato depois da expulsão de Soberbo foi juntar o povo para que fosse realizado um juramento coletivo no qual os cidadãos romanos jamais permitiriam que uma pessoa reinasse sobre Roma novamente.[11]
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Este juramento foi, fundamentalmente, uma nova versão do "juramento privado" realizado pelos conspiradores.[12]
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Não existe consenso acadêmico sobre a veracidade histórica deste juramento; ele é relatado, de forma diferente, por Plutarco ("Poplicola", 2) e Apiano (Guerras Civis 2.119). Porém, é inegável que o espírito presente no juramento inspirou os romanos em diversas ocasiões, incluindo Marco Júnio Bruto, seu descendente e um dos assassinos de César.
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Consulado e morte
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Heinrich Friedrich Füger, Staatsgalerie Stuttgart, Alemanha

Jacques-Louis David, 1789, Museu do Louvre, França
Bruto e o enlutado marido de Lucrécia, Lúcio Tarquínio Colatino, foram eleitos como os primeiros cônsules de Roma no mesmo ano, 509 a.C.. Bruto, porém, insistiu que Colatino renunciasse sob o pretexto de que ele era um Tarquínio e Roma não seria livre até a expulsão todos os Tarquínios. Colatino viu-se pressionado e renunciou, exilando-se na povoação latina de Lanúvio. Depois o senado decretou que todos os Tarquínios deviam exilar-se, e o povo escolheu Públio Valério Publícola amigo de Bruto, como novo cônsul. Aparentemente, ninguém reparou no fato de Bruto ser um parente mais próximo dos reis que o exilado Colatino (embora Bruto não portasse o nome Tarquínio). Depois do juramento, Bruto repôs o número de senadores para 300 escolhendo entre os mais proeminentes homens da ordem equestre. Os novos cônsules também criaram o novo cargo de rei das coisas agradas para realizar as tarefas religiosas que eram realizadas antes pelos reis.[13]
Durante seu consulado, a família real tentou reconquistar o trono, primeiro enviando embaixadores numa tentativa de subverter alguns dos mais importantes cidadãos romanos, o que ficou conhecido como Conspiração Tarquiniana. Entre os conspiradores estavam dois cunhados de Bruto, irmãos de sua esposa Vitélia, e dois de seus filhos, Tito Júnio Bruto e Tibério Júnio Bruto. A conspiração foi descoberta e os cônsules determinaram a pena de morte aos envolvidos. Bruto ganhou muito respeito entre seus concidadãos pelo sua postura estoica ao assistir a execução de seus próprios filhos, mesmo tendo revelado sua tristeza durante o ato.[14]
Tarquínio tentou novamente recuperar o trono logo depois da Batalha de Silva Arsia, liderado as forças da cidade etrusca de Tarquinia e de Veios . A cavalaria se juntou à batalha e os rebeldes, percebendo a presença de lictores, confirmaram que um cônsul estava presente. Logo depois, confirmaram que o próprio Bruto comandava o ataque. Bruto e Arruns Tarquínio, filho de Tarquínio Soberbo, que eram primos, atacaram um ao outro e se feriram mutuamente de morte com suas lanças. A infantaria logo entrou no combate, cujo resultado ficou incerto por algum tempo. A ala direita de cada um dos exércitos triunfou, com o exército de Tarquinia forçando o recuo dos romanos e os veios sendo completamente aniquilados. Porém, as forças etruscas acabaram fugindo do campo de batalha, entregando a vitória aos romanos.[15]
O outro cônsul, Valério Publícola, depois de celebrar um triunfo pela vitória, organizou um magnífico funeral para Bruto. As nobres romanas vestiram o luto por um ano para relembrar a violação de Lucrécia[16]
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Bruto na arte e na literatura
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Lúcio Júnio Bruto é citado na peça "Júlio César", de Shakespeare ("Cássio a Marco Bruto, ato 1, cena 2).[17] Uma das principais acusações da facção senatorial que conspirou contra Júlio César depois que ele forçou o Senado Romano a declará-lo ditador perpétuo foi de que ele estaria tentando se fazer rei e um co-conspirador, Cássio, instigou Marco Júnio Bruto, um pretenso descendente de Lúcio Júnio Bruto, a se juntar à conspiração fazendo referência ao seu ancestral:
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Além disto, Lúcio aparece ainda em outra peça de Shakespeare, como personagem principal em "The Rape of Lucrece", e na tragédia da época da Restauração (1680) "Lucius Junius Brutus; Father of his Country", de Nathaniel Lee.
Bruto foi também um herói do republicanismo na época do Iluminismo e do neoclassicismo. Em 1789, às vésperas da Revolução Francesa, o pintor Jacques-Louis David exibiu uma obra de forte carga política, "Os Lictores Levando a Bruto os Corpos de seus Filhos", causando grande controvérsia.[18]
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Ver também
Cônsul da República Romana![]() | ||
Precedido por: Não existia |
Lúcio Júnio Bruto 509 a.C. com Lúcio Tarquínio Colatino |
Sucedido por: Públio Valério Publícola II |
Referências
- Matyszak, pp. 14, 43
- Dionísio de Halicarnasso, Das antiguidades romanas, IV, 68.1
- «Lúcio Júnio Bruto» (em inglês). Livius.org
- Davies, Norman ([1996]1998) Europe. New York NY, Harper Perennial ISBN 0-06-097468-0 pg. 113 (em inglês)
- Shakespeare. «Júlio César». Ebooks Brasil
- Brookner, Anita (1980). Jacques-Louis David (em inglês). New York: Harper & Row. p. 90. ISBN 0-06-430507-4
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Bibliografia
Ligações externas
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