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Salomé (filme de 1923)

filme de 1923 dirigido por Charles Bryant Da Wikipédia, a enciclopédia livre

Salomé (filme de 1923)
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Salome (prt: Salomé[1]) é um filme mudo estadunidense de 1923, do gênero drama, dirigido por Charles Bryant e estrelado por Alla Nazimova.[2] Trata-se de uma adaptação da peça homônima de Oscar Wilde, por sua vez uma versão livre da história bíblica do rei Herodes e a execução de João Batista (aqui, como na peça de Wilde, chamada Jokaanan), a pedido de sua enteada, Salomé, a quem ele deseja.

Factos rápidos
Filme Salomé (1923) na íntegra

Salomé é muitas vezes considerado um dos primeiros filmes de arte a serem feitos nos Estados Unidos.[3] Os trajes altamente estilizados, a atuação exagerada, os sets minimalistas e a ausência de tudo, menos o mais necessário, compõem um filme mais focado na atmosfera e na transmissão de um senso maior nos desejos individuais das personagens do que no desenvolvimento de tramas convencionais.

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Enredo

Conforme descrito em uma revista de cinema,[4] durante um banquete no palácio de Herodes, o Tetrarca (Lewis) dedica muita atenção à sua enteada Salomé (Nazimova), irritando sua esposa Herodias (Dione). Salomé sai para o pátio adjacente ao salão do banquete e persuade o soldado de guarda a deixá-la ver Iokanaan (De Brulier), que é então trazido de baixo da prisão. Salomé demonstra seu amor pelo Profeta e, quando ele ignora suas atenções, declara que o beijará. O preço é uma dança diante de Herodes, que lhe promete que atenderá a qualquer pedido pela dança. Salomé pede e obtém a cabeça do Profeta, beijando-a. Herodes então se volta contra ela e ordena que a matem.

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Elenco

  • Alla Nazimova as Salomé, enteada de Herodes
  • Mitchell Lewis como Herodes Antipas, Tetrarca da Judeia
  • Rose Dione como Herodias, esposa de Herodes
  • Earl Schenck como Narraboth, Capitão da Guarda
  • Arthur Jasmine como Pajem de Herodias
  • Nigel De Brulier como Iokanaan, profeta judeu
  • Frederick Peters como Naaman, o Carrasco
  • Louis Dumar como Tigellinus

Produção

Resumir
Perspectiva

Apesar do filme ter apenas um pouco mais de uma hora de duração e não ter nenhuma ação real, custou mais de US $ 300.000 para ser feito.[5] Todos os sets foram construídos em ambientes fechados para poder controlar completamente a iluminação.[5]

As filmagens ocorreram completamente em preto e branco, fiel as ilustrações feitas por Aubrey Beardsley na edição impressa da peça de Wilde.[6] Os trajes, projetados por Natacha Rambova, utilizaram apenas material da Maison Lewis de Paris, como as tangas de lamê de prata usadas pelos guardas.[5]

Enquanto o filme ainda estava em produção foi afirmado pelo cronista da decadência de Hollywood, Kenneth Anger, que o elenco era composto inteiramente de atores gays ou bissexuais em homenagem a Oscar Wilde, por demanda da estrela e produtora Nazimova.[7][8]

Em seu livro sobre homossexualidade no cinema,intitulado The Celluloid Closet, o ativista e autor Vito Russo, afirmou que algumas das cenas em que a temática da homossexualidade é colocada de forma mais clara foram cortadas, antes mesmo do filme ser lançado, incluindo uma em que um relação entre dois soldados sírios é mostrada.[9]

Devido as controvérsias nenhum estúdio conhecido queria ser associado ao filme.[10] O lançamento aconteceu anos depois de sua conclusão, através de um distribuidor independente.[10]

Recepção e legado

O fraco desempenho nas bilheterias marcou o fim da carreira de Nazimova como produtora.[11] A recepção dos críticos, no entanto, foi favorável. Uma resenha feita pela revista Screenland, o descreveu como "uma pintura habilmente acariciada na tela de prata" e que "os poetas e os sonhadores encontrarão delícias imaginativas nos sets estranhos e na atuação mais estranha ainda, deprimente às vezes, para pessoas comuns. E vale a pena ver Nazimova equilibrar sua cabeça de árvore de Natal!".[12]

Em 2001, recebeu uma nominação do American Film Institute, para integrar a lista AFI's 100 Years... 100 Passions.[13]

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Galeria

Referências

  1. «Salomé». Cinemateca Portuguesa. Portugal: CineCartaz. Consultado em 3 de dezembro de 2018
  2. Erickson, Hal. «Synopsis: Salomé (1922)». allMovie (em inglês). Consultado em 8 de junho de 2016
  3. Getty Center. «Film Series: The Ornament and the Enchantress». The J. Paul Getty Trust. Consultado em 25 de novembro de 2012
  4. «Salomé: Nazimova Production in Six Reels». East Stroudsburg, Pennsylvania: Exhibitor's Trade Review, Inc. Exhibitor's Trade Review. 13 (8): 424 20 de janeiro de 1923
  5. Patrick C. Byrne. Double Entendre: The Parallel Lives of Mae West and Rae Bourbon. [S.l.]: BearManor Media. pp. 150–
  6. «The Shadow Stage». New York: Photoplay Publishing Company. Photoplay. Agosto de 1922. Consultado em 25 de setembro de 2015
  7. Streete, Gail P. (16 de outubro de 2018). The Salome Project: Salome and Her Afterlives (em inglês). [S.l.]: Wipf and Stock Publishers. pp. 106–. ISBN 978-1-4982-4471-8
  8. Theophano, Teresa. «Film Actors: Lesbian». glbtq.com (em inglês). Consultado em 25 de novembro de 2012. Arquivado do original em 16 de dezembro de 2012
  9. Russo, Vito (20 de setembro de 1987). The Celluloid Closet: Homosexuality in the Movies 🔗 (em inglês). [S.l.]: Harper Collins. ISBN 978-0-06-096132-9
  10. Karlstrom, Paul J. (1 de janeiro de 1996). On the Edge of America: California Modernist Art, 1900-1950. [S.l.]: University of California Press. pp. 214–. ISBN 978-0-520-08850-4
  11. Kevin Brownlow; Shelley Stamp; Bryony Dixon (10 de janeiro de 2017). Silent Women: Pioneers of Cinema. [S.l.]: Aurora Metro Publications Ltd. pp. 81–. ISBN 978-0-9932207-0-8
  12. «Little Hints». Hollywood: Screenland Publishing Company. Screenland. Setembro de 1922. Consultado em 24 de agosto de 2015
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