Top Qs
Linha do tempo
Chat
Contexto
O Bem-Amado (telenovela)
telenovela brasileira de 1973 produzida e exibida pela Rede Globo Da Wikipédia, a enciclopédia livre
Remove ads
O Bem-Amado é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 22 de janeiro a 3 de outubro de 1973, em 178 capítulos. Substituiu O Bofe e foi substituída por Os Ossos do Barão, sendo a 17.ª "novela das dez" produzida pela emissora.[2]
Sua história central é baseada na peça teatral Odorico, o Bem-Amado, escrita na década de 1960 por Dias Gomes, também autor da trama.[3] Com direção de Régis Cardoso, é a primeira produção dramatúrgica em cores da TV do Brasil e a primeira novela do país a ser exportada.[2]
Conta com as atuações de Paulo Gracindo, Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Jardel Filho, Sandra Bréa, Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliaccio nos papéis principais.[2]
Remove ads
Sinopse
Resumir
Perspectiva
O prefeito Odorico Paraguaçu é um político demagogo e corrupto que, com seus discursos inflamados e verborrágicos, ilude o simplório povo da pequena Sucupira, no litoral baiano. A meta prioritária de sua administração é a inauguração do cemitério local, criticada pela oposição ao seu governo, liderada pela família Medrado, que comanda a polícia local, o dentista Lulu Gouveia e o jornalista Neco Pedreira, editor-chefe do jornal A Trombeta.
O braço direto de Odorico na prefeitura é seu secretário Dirceu Borboleta, um tipo tímido, gago e desastrado que pratica a caça de lepidópteros. As maiores correligionárias do prefeito são as irmãs Cajazeiras: Dorotéia, Dulcinéia e Judicéia. Solteironas e falsas carolas, cada uma mantém um caso secreto com Odorico, sem que uma saiba da outra, até que Dulcinéia engravida e o prefeito arma para que a paternidade do bebê recaia sobre o desligado Dirceu.
Maquiavelicamente, Odorico planeja a morte de alguém na cidade para que seu cemitério seja inaugurado. Porém, acaba sempre malsucedido. Nem as diversas tentativas de suicídio do depressivo farmacêutico Libório, todas frustradas, nem o desejo de Zelão de voar como um pássaro (e a expectativa de que ele se arrebente no chão), nem um tiroteio na praça, um crime ou um moribundo da cidade vizinha lhe proporcionam a realização desse sonho, até que o prefeito tem a ideia de mandar trazer a Sucupira o famoso matador Zeca Diabo para encomendar o serviço, não importando a vítima. Só que Odorico não contava com o assassino profissional estar arrependido de seu passado de crimes e aposentado, importando-se apenas com a mãe velhinha, a crença no Padre Cícero e o sonho de tornar-se cirurgião-dentista.
Odorico ainda enfrenta o idealista médico Juarez Leão, obstinado na missão de salvar vidas. Abalado pelo trauma de ter perdido a esposa em suas mãos durante uma cirurgia, o doutor bebe, mas faz um bom trabalho em Sucupira cuidando da saúde do povo, para o desespero do prefeito. Juarez arrebata o coração de Telma, a temperamental filha de Odorico, que vive a criticar os métodos do pai, desconfiada de que ele foi responsável pela morte de sua mãe.
Remove ads
Elenco
Participações especiais
Remove ads
Produção
Resumir
Perspectiva
Antecedentes
A trama principal de O Bem-Amado é baseada em um texto escrito no início da década de 1960 pelo dramaturgo Dias Gomes, que inspirou-se em uma história contada pelo jornalista Nestor de Holanda. Segundo este, o cantor Jorge Goulart, ao se apresentar em uma cidade do Espírito Santo, soube, através dos moradores, que o prefeito havia construído um cemitério, porém não pôde inaugurá-lo por ninguém falecer. Assim, Gomes escreveu a peça Odorico, o Bem-Amado pensando em levá-la para encenação ao Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, cujo diretor Flávio Rangel recusou-a por optar representar outra obra.[3]
Em 1962 a revista Claudia encomendou um conto para sua edição de Natal a Dias Gomes, que mandou Odorico, o Bem-Amado. Benjamin Cattan, diretor e produtor do TV de Vanguarda, programa da TV Tupi de São Paulo, solicitou autorização da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais para produzir e transmitir a obra na atração, sendo exibida em junho de 1964.[4] A peça estreou no teatro em Salvador, capital da Bahia, no ano de 1965, passando a ser excursionada em outras cidades e obtendo sucesso.[3]
O texto de Gomes foi adaptado com modificações para ser uma novela na TV Globo, que teve produção iniciada em 1972.[3]
Gravações
Primeiras feitas em cores para uma telenovela no Brasil, com parte dos custos arcados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica através de subvenção,[2] as gravações de O Bem-Amado começaram em novembro de 1972, quando uma equipe composta de diretores, técnicos e atores protagonistas viajou a Salvador para realizar as primeiras cenas, externas, em que o personagem Odorico Paraguaçu visitava a cidade vindo da fictícia Sucupira, também na Bahia —[5] esta foi reproduzida no bairro Sepetiba e em áreas próximas, no Rio de Janeiro, onde toda a trama foi rodada. As filmagens em estúdio ocorreram na sede da Globo, no Jardim Botânico, também no Rio.[6]
Censura
Transmitida no período em que o Brasil estava sob ditadura militar, a novela foi afetada por intervenções do serviço de censura do governo federal. Para que fossem ao ar, os capítulos eram editados com antecedência e enviados para avaliação do órgão responsável por aprovar ou não a divulgação pública de obras de entretenimento.[6]
As ações dos censores, que temiam intranquilidade quanto aos textos de Dias Gomes, críticos ao regime, consistiram em vetos de diversas páginas dos roteiros de 37 capítulos da trama e proibição de palavras como "coronel" e "capitão" (o termo "coronel" era usado para Odorico Paraguaçu, Hilário Cajazeira e Emiliano Medrado, já o termo "capitão" era usado para Zeca Diabo e eram considerados pelos militares como de utilização negativa ligada a eles), resultando no apagamento do áudio de gravações já realizadas, além de haver implicação com os comportamentos dos personagens Odorico, que mantinha relação com as três irmãs Cajazeiras, e de Telma, taxada de libertina.[6][2][7]
O tema de abertura original da novela, que seria "Paiol de Pólvora", foi impedido de ser utilizado antes da estreia devido a versos vistos como forma de protesto contra atos de militares na ditadura. Segundo Toquinho, que compôs e interpretou a música com Vinicius de Moraes, ela era uma referência ao Teatro Paiol, em Curitiba. Em substituição a esta, ele escreveu "O Bem-Amado", cantada pelo grupo MPB4, creditado no disco da trilha sonora nacional da trama como Coral Som Livre, mas foi usado na vinheta de intervalo.[2]
Remove ads
Exibição
Resumir
Perspectiva
Os capítulos de O Bem-Amado estrearam primeiro na TV Globo Rio de Janeiro, sendo exibidos de 22 de janeiro a 3 de outubro de 1973, enquanto na emissora de São Paulo foram ao ar de 24 de janeiro a 9 de outubro.[2] Com 177 capítulos no roteiro, a novela teve um a mais no tempo de arte devido ao desmembramento do de número 175 em dois.[2]
Reprises
Foi reprisada entre 3 de janeiro e 24 de junho de 1977, em 120 capítulos, também na faixa das 22 horas, de forma emergencial devido ao veto pela censura do governo brasileiro a Despedida de Casado, que não teve sinopse aprovada, pouco antes da estreia. Na ocasião, O Bem-Amado substituiu Saramandaia e foi substituída por Nina.[2]
Foi reprisada em um compacto de noventa minutos no Festival 15 Anos, especial comemorativo de aniversário da Globo, em 6 de março de 1980, com apresentação da atriz Zilka Salaberry.[2]
Foi reprisada pelo Vídeo Show de forma compacta em quinze capítulos da trama no quadro Novelão, de 7 a 25 de janeiro de 2013.
Exibição internacional
O Bem-Amado foi a primeira produção dramatúrgica do Brasil a ser exportada, abrindo o mercado estrangeiro para exibição das novelas do país — até então apenas textos eram comercializados. A primeira veiculação internacional ocorreu em 1976 pela Monte Carlo Televisión, do Uruguai, e no México.[2] No ano seguinte, a trama estava sendo transmitida na América Latina (exceto Venezuela) e nos Estados Unidos através da Spanish International Network. Os 178 capítulos foram editados em 223 na distribuição por ser exigida uma duração menor. O folhetim também foi vendido para Portugal. Ao todo trinta países exibiram a novela.[4]
Outras mídias
Em outubro de 2012 O Bem-Amado foi lançada em um box de 10 DVDs pela Globo Marcas.[8]
Em 15 de fevereiro de 2021, a novela foi incluída no catálogo da plataforma digital de streaming Globoplay em 177 capítulos, os capítulos 55, 56 e 57 foram remontados a partir do arquivo da reprise de 1977, resultando em capítulos mais curtos do que os capítulos originais, já o capítulo 95 do pouco material que se tinha foi adicionado entre as sequências finais do capítulo 94 e as sequências iniciais do capítulo 96.[9][10]
Remove ads
Música
Resumir
Perspectiva
Original
Internacional
Compuseram a trilha sonora da novela outras canções não incluídas nos discos:[2]
- "Malaria Fever", El Chicles (tema de Jairo)
- "Librium", El Chicles (tema de Nadinho e Cecéu)
- "Creek", Airto Moreira (tema de Nezinho do Jegue)
- "Free", Airto Moreira (tema de Zeca Diabo)
- "September 13", Eumir Deodato
- "Prelude to the Afternoon of a Faun", Claude Debussy (tema de Juarez)
Remove ads
Prêmios
Paulo Gracindo recebeu o prêmio especial do Primer Festival de La Telenovela, no México. O Bem-Amado também recebeu outras menções, como a de Melhor Direção para Régis Cardoso, Melhor Adaptação para Dias Gomes, Melhor Música para Toquinho e Vinicius de Moraes e Melhor Realização de Externas.[4]
Remove ads
Legado
Em 2016 um júri convocado pela revista Veja elegeu O Bem-Amado a quinta de dezessete melhores novelas da televisão brasileira.[12]
Adaptações
O Bem-Amado ganhou uma versão em seriado com o título homônimo, também escrito por Dias Gomes e exibido na TV Globo de 1980 a 1984. A história foi um prosseguimento da novela com adição de novos personagens e situações.[2]
A trama foi adaptada em dois remakes estrangeiros: Sucupira, de Víctor Carrasco, veiculada pela TVN do Chile em 1996 (que por sua vez originou um spin-off, a série Sucupira, la comedia, de 1997), e El Bienamado, de Kary Fajer, Gerardo Luna e Julián Aguilar, produzida pela Televisa e transmitida no Las Estrellas, do México, em 2017.[2]
Em 2010 foi lançado o filme baseado na novela, com direção de Guel Arraes. O longa-metragem foi editado para exibição em minissérie, de quatro capítulos, na Globo em janeiro de 2011.[2]
Remove ads
Referências
- Nilson Xavier. «Roque Santeiro (1985)». Teledramaturgia
- Nilson Xavier. «O Bem-Amado (a novela)». Teledramaturgia
- Mariza Cardoso (21 de março de 1973). «Nascimento, vida e glória de Odorico». Cartaz. TV-Pesquisa
- Mariza Cardoso (18 de janeiro de 1973). «Chegada do Bem-amado». Cartaz. TV-Pesquisa
- James Cimino (18 de janeiro de 2013). «Escrita por comunista, "O Bem Amado" teve 37 capítulos retalhados pela censura». UOL TV e Famosos. Consultado em 17 de agosto de 2019
- «Novela "O Bem Amado" é lançada em DVD». UOL TV e Famosos. 1 de outubro de 2012. Consultado em 19 de dezembro de 2015
- «'O Bem-Amado' estreia no Globoplay: 1ª novela em cores no país foi sátira ao Brasil do regime militar». G1. Consultado em 15 de fevereiro de 2021
- David Denis Lobão (14 de fevereiro de 2023). «Dancin' Days e as novelas incompletas da Globoplay». Cultureba. Consultado em 25 de maio de 2025
- «As melhores novelas da TV brasileira». Veja. 21 de outubro de 2016
Remove ads
Ligações externas
Wikiwand - on
Seamless Wikipedia browsing. On steroids.
Remove ads