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Guanambi

município do Estado da Bahia, Brasil Da Wikipédia, a enciclopédia livre

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Guanambi é um município brasileiro do estado da Bahia.

Factos rápidos Município do Brasil, Localização ...

Guanambi abriga, ao lado de Caetité e Igaporã, o maior complexo eólico da América Latina.

Em 2015, foi considerado o município que mais se desenvolveu na Bahia, segundo o IFDM.[7]

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Topônimo

A denominação de "Guanambi" deriva do nome Beija-Flor dado ao antigo arraial, pois, em tupi, as palavras guainumbi, guanumbi, guanambi, significariam "beija-flor". O terreno de vazante, sempre úmido, contíguo ao local do arraial, permitia a existência de flores silvestres e, em consequência, a presença de colibris, daí a escolha do nome da localidade.

Outra versão muitas vezes repetida é que a antiga moradora Bela tinha uma filha chamada Flor, sendo comum que durante as cerimônias de Santo Antônio as festividades se iniciassem apenas depois que todos beijassem a imagem do santo, a começar pela filha da dona da casa, a bela Flor. Querendo que a festa se iniciasse logo, todos os presentes pediam: “Beija, Flor! Beija, Flor!” Assim, a população teria passado a chamar o referido lugar de Beija-flor.[8]

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História

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Perspectiva

Origens

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Igreja matriz de Guanambi.

A região de Guanambi originalmente era habitada por indígenas jês, apelidados de "tapuias", e foi ocupada durante o século XVIII, devido à expansão da criação de gado vinda do Vale do São Francisco, a descoberta de jazidas de ouro nas nascentes dos rios Paramirim, de Contas e Brumado e a descoberta de salitre na região de Palmas de Monte Alto. Os colonizadores desta região criam suas fazendas ali, sendo as mais importantes a Mata Verde, Pé da Serra, Carnaíbas de Fora, Carnaíbas de Dentro, Barro Vermelho, Umburanas e Santa Rosa da Pedra.

No século XIX, a região de Guanambi era um ponto de encontro entre tropeiros e comerciantes que se dirigiam a diversos pontos do sertão, tendo como ponto de encontro uma feira, ao redor da qual surge uma povoação, situada na Fazenda Carnaíbas de Dentro. Segundo uma lenda local, em um terreno dentro desta fazenda, vivia Belarmina ("Bela") e sua filha Florinda ("Flor"), devotas de Santo Antônio, no qual elas faziam festas que atraíam a vizinhança. Em razão disto, segundo esta lenda, o povoado começou a ser conhecido como "Beija-Flor".[9]

Afirma-se que, em 8 de maio de 1870, o fazendeiro Joaquim Dias Guimarães doou um terreno da Fazenda Carnaíbas de Dentro para a edificação de uma capela em louvor a Santo Antônio no promissor Arraial de Beija-Flor, mas não há comprovação dessa doação. Joaquim Dias Guimarães, filho de Lourenço Dias Guimarães e Joaquina Maria de Jesus, era um dos muitos proprietários da região. O arraial foi constituído inicialmente das famílias de João Pereira de Costa, Gasparino Pereira da Costa, Joaquim e Alexandre Dias Guimarães, Inocêncio Antônio de Oliveira, Donato Pereira do Nascimento, Manoel Pereira do Nascimento, João Ferreira Costa, Manoel Antônio Cotrim, Othon Teixeira de Azevedo e muitos outros, que intensificaram o comércio e a agricultura e a pecuária na região.[10][11][12][13][14]

Emancipação política

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Primeira prefeitura, inaugurada em 1925 por Mário Teixeira

Pela lei provincial nº. 1979 de 23 de junho de 1880, foi criado o “Distrito de Paz no Distrito da Subdelegacia de Beija-Flor do termo de Monte Alto". Mais tarde, em 1895, seria adotada a designação de Distrito de Bela-Flor.[15]

Em 14 de agosto de 1919, através da Lei Estadual nº 1.364, o distrito de Bela Flor foi elevado à categoria de município, com a denominação de Guanambi, desmembrado de Palmas de Monte Alto, porém a real instalação do novo município só se deu em 1 de janeiro de 1920, quando Balbino Gabriel de Araújo Cajaíba tomou posse como o primeiro intendente (hoje prefeito).[11]

Desenvolvimento urbano, econômico e populacional e dualidade política

Nas décadas de 1920 e 1930, por influência da política de Caetité, as facções políticas então existentes, passaram a ter nova denominação: "Caititus", a facção liderada pelo engenheiro agrônomo Mário Teixeira e depois pelo farmacêutico Dr. Fernandes, e a dos "Morcegos", que tinha como líderes o Coronel Balbino Cajaíba e seu sobrinho, o Capitão João Exalto de Araújo, que foram os dois primeiros intendentes do município. Essa disputa prolongou-se por vários anos, através dos representantes destes políticos influentes no meio social daquele período. Devido a muitas brigas à mão armada, a população viveu anos de pavor e insegurança provocados pelo embate político que ficou registrado na história.[16]

Na política do município, sempre houve um nome popular para destacar situação e oposição. A partir de 1976 surgia um movimento político muito acirrado, conhecido como "Jacus" e "Carcarás". Os "Jacus" foram liderados, a princípio, por José Humberto Nunes. Essa tendência ainda é presente no município através de alguns representantes políticos. Os "Carcarás" foram chefiados por Binha Teixeira e Nilo Coelho e tiveram maior influência a partir de 1982, época em que Nilo disputava as eleições para prefeito do Município.[16]

História recente

Em janeiro de 2017, o prefeito Jairo Magalhães decretou a entrega da chave do município a Deus em seu primeiro decreto oficial, o que causou polêmica.[17][18][19] O Ministério Público do Estado da Bahia, por considerar que o decreto fere a Constituição Federal, que afirma que o Estado não está vinculado a nenhuma religião, recomendou a revogação do ato.[20] Em março de 2018, a justiça declarou o decreto inconstitucional e o suspendeu. A prefeitura de Guanambi recorreu da decisão.[21][22]

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Geografia

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Clima

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Guanambi, com o dia nublado, durante o inverno em 2025

Seu clima é basicamente semiárido, com temperatura média anual de 23 °C. O período da chuva se dá entre os meses de outubro a março. Segundo dados da estação meteorológica automática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) do município, em operação desde abril de 2008, a menor temperatura registrada em Guanambi foi de 14,7 °C em 20 de maio de 2022 e a maior atingiu 40,6 °C em 13 de novembro de 2015.[23] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 105,4 milímetros (mm) em 30 de abril de 2015.[24] A rajada de vento mais forte alcançou 23,5 m/s (84,6 km/h) em 20 de março de 2019 e o menor índice de umidade relativa do ar foi de 9% em várias datas.[23]

Mais informação Dados climatológicos para Guanambi, Mês ...

Demografia

O município de Guanambi tem registrado um aumento populacional crescente, consolidando-se como um município em expansão populacional recorrente. Atualmente, no ranking de populações, ocupa a 19ª posição no estado da Bahia, a 72ª no Nordeste e a 365ª no Brasil. Além disso, Guanambi apresenta densidade demográfica igual a 69,02 habitantes por km² e uma média de 2,89 moradores por residência.[25]

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População residente do município Guanambi de acordo com os Censos do IBGE - Brasil[26]
Mais informação Anos:, População: ...
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Economia

Até a década de 1970, a cidade era sustentada pela agropecuária. Nas décadas de 1970 e 1980, o município passou por intensa modificação socioeconômica impulsionada pela indústria algodoeira. O processo culminou na transformação de Guanambi em cidade-polo regional. Em 2013, o setor de serviços constituía a maior parte (74,4%) do produto interno bruto do município, seguido pela indústria (13%).[28]

Guanambi também abriga, ao lado de Caetité e Igaporã, o Complexo Eólico do Alto Sertão, considerado o maior complexo eólico da América Latina.[29]

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Infraestrutura

Saúde

Guanambi é referência em saúde para os municípios de sua microrregião. Em 2009, o município contava com 49 estabelecimentos de saúde, incluindo PSFs, hospitais e clínicas públicas e privadas, sendo destes, 20 postos de saúde municipais distribuídos nos bairros e um Posto Central.[30]

Educação

Em 2015, foi inaugurada a Biblioteca Pública Messias Pereira Donato na sede da Justiça do Trabalho em Guanambi, com mais de 3500 títulos de direito e literatura, doada por Messias Pereira Donato, primeiro advogado nascido em Guanambi, que migrou para Belo Horizonte e ali se tornou juiz do trabalho e diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.[31][32]

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Campus das FIPGuanambi

O município dispõe de várias unidades de ensino superior sendo elas públicas e privadas, dentre elas se destacam[33][34] a Universidade do Estado da Bahia - UNEB, o Instituto Federal Baiano - IFBAIANO, as Faculdades Integradas Padrão - FIPGuanambi, o Centro Universitario FG - UniFG e a Unopar.[35]

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Ver também

Referências

  1. «Cidades e Estados». IBGE. Consultado em 31 de julho de 2023
  2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Meio Ambiente». Consultado em 31 de julho de 2023
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2020. Consultado em 7 de outubro de 2013
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2010). «Perfil do município de Guanambi - BA». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Consultado em 4 de março de 2014
  5. «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2021». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 1º de janeiro de 2024
  6. «Guanambi é o Município mais desenvolvido da Bahia segundo o IFDM | Portal Condeúba de Notícias». portalcondeubadenoticias.com.br. Consultado em 28 de maio de 2016. Arquivado do original em 29 de junho de 2016
  7. Teixeira, José Bonifácio (16 de outubro de 2011). «BEIJA-FLOR, BELA FLOR – GUANAMBI, CRIAÇÃO E DEVENVOLVIMENTO». Consultado em 6 de fevereiro de 2017
  8. Caetité, Arquivo Público Municipal de (5 de julho de 1919). «Guanamby». A Penna.
  9. Vasconcelos, Fernando Donato (9 de outubro de 2023). «"Gente grada": A formação da elite política em uma povoação do Alto Sertão da Bahia, 1880-1919». Varia Historia: e23212. ISSN 0104-8775. doi:10.1590/0104-87752023000200012. Consultado em 7 de abril de 2024
  10. Vasconcelos, Fernando Donato (17 de janeiro de 2022). «O morrer e o germinar: óbitos numa vila em formação no sertão da Bahia, 1891-1913.». CITCEM: Universidade do Porto. CEM - Cultura, Espaço e Memória. 13: 57-71
  11. Pereira, Sofia Rebouças Neta (2013). Guanambi: centralidade, rede urbana e dinâmica regional no centro-sul baiano (PDF). Salvador: UFBA. pp. 47–51
  12. Pereira, Thiaquelliny Teixeira (2010). Memória e discurso religioso: a fé na “Santa Leocádia” de Guanambi – BA (PDF). Vitória da Conquista: UESB. pp. 22–26
  13. Vasconcelos, Fernando Donato (18 de novembro de 2020). «Leocádia e suas mortes: o confronto de narrativas de um crime hediondo no Alto Sertão da Bahia do final do século XIX». Sæculum – Revista de História (43): 248–262. ISSN 2317-6725. doi:10.22478/ufpb.2317-6725.2020v25n43.54469. Consultado em 5 de julho de 2022
  14. «GUANAMBI: CENTENÁRIO FICA MAIS PERTO!». O Popular: Classificados. 13 de agosto de 2016. Consultado em 27 de agosto de 2019
  15. «DECRETO Nº 1 DE 2 DE JANEIRO DE 2017 - Ed. 1327» (PDF). Diário Oficial da Prefeitura Municipal de Guanambi. Procede Bahia. 2 de janeiro de 2017. Consultado em 2 de janeiro de 2017
  16. MP recomenda que prefeito de Guanambi revogue decreto com referências religiosas. Disponível em: http://www.mp.ba.gov.br/noticia/35609 Acesso em: 05 fevereiro 2017.
  17. Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). «Estação: GUANAMBI (A426)». Consultado em 24 de outubro de 2020
  18. INMET. «Gráficos diários de estações automáticas». Consultado em 24 de outubro de 2020
  19. «População de Guanambi (BA) é de 87.817 pessoas, aponta o Censo do IBGE». G1. 28 de junho de 2023. Consultado em 15 de setembro de 2024
  20. «Panorama do Censo 2022 do município de Guanambi». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 15 de setembro de 2024
  21. «Panorama do Censo 2022 do município de Guanambi». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 15 de setembro de 2024
  22. Cidades@ - IBGE (2009). «Serviços de Saúde 2009». Consultado em 18 de maio de 2011
  23. Guanambi ganha acervo de livros do Professor e Jurista Messias Pereira Donato. Disponível em: http://www.opopularonline.com.br/?lk=4&noticia=GUANAMBI+GANHA+ACERVO+DE+LIVROS++DO+PROFESSOR+E+JURISTA+MESSIAS+PEREIRA+DONATO&id=1066 acesso em 30 jan 2017.
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Ligações externas

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