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São José de Mipibu

município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte Da Wikipédia, a enciclopédia livre

São José de Mipibu
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São José de Mipibu é um município no estado do Rio Grande do Norte (Brasil). De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano 2022 sua população era de 47.286 habitantes. Área territorial de 289,987 km².

Factos rápidos Município do Brasil, Localização ...
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História

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Perspectiva

Mipibu é uma palavra de origem Tupi que significa surgir subtamente. Em 1630 existia um aldeamento no território, cujo nome era Mopebu, o maior, mais populoso e o principal entre as seis aldeias da Capitania do Rio Grande do Norte. No relatório do bragantino Adriano Wedouche constava que "existiam na capitania cinco ou seis aldeias que reunidas podiam contar de 700 a 750 índios flecheiros e que a principal flecha era chamada de Mopebu". Foi este aldeamento que deu origem ao nome do município.   

Os primeiros habitantes da região foram índios Tupis, que se localizaram nas proximidades do rio Mipibu, que recebeu esse nome por surgir de repente na famosa Fonte da Bica e percorrer por quatro quilômetros, até desaguar no rio Trairi. Em adiantado processo de organização e sinais de povoação, o aldeamento passou a ser coordenado pelos frades Capuchinhos, no final do século XVII, até o ano de 1762, quando foi instalada a vila de São José do Rio Grande do Norte. Nesse período, com a saída dos Capuchinhos, a coordenação dos destinos da comunidade foi assumida pelos próprios nativos. 

A criação do município foi através do alvará de 3 de maio de 1758, instalado em 22 de fevereiro de 1762, com procedimento de Vila de São José do Rio Grande, numa homenagem conjunta a São José e ao Príncipe D. José Francisco Xavier. Em 16 de outubro de 1845, a vila de São José do Rio Grande foi elevada a categoria de cidade, passando a se chamar cidade de Mipibu. Passados dez anos a cidade recebeu o nome de São José de Mipibu, numa união entre a religiosidade e o famoso rio que emerge da terra de maneira surpreendente.

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Geografia

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Perspectiva

Na divisão territorial brasileira feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, São José de Mipibu pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Natal.[4] Até então, na divisão em mesorregiões e microrregiões que vigorava desde 1989, o município fazia parte da microrregião de Macaíba, uma das quatro microrregiões formadoras da mesorregião do Leste Potiguar.[5] Está a 38 km do centro de Natal, capital estadual,[6] e a 2 370 km da federal nacional, Brasília.[7] Sua área territorial é de 289,987 km²[1] (0,5491% da superfície estadual) dos quais 21,6176 km² em área urbana.[8] Limita-se a norte com Macaíba e Parnamirim; a sul com Arez, Brejinho, Espírito Santo e Jundiá; a leste com Nísia Floresta e a oeste com Monte Alegre e Vera Cruz.

O relevo de São José de Mipibu está em grande parte inserido nos tabuleiros costeiros, também chamados de planaltos rebaixados, apresentando altitudes inferiores a cem metros, ocorrendo, nas margens dos rios, as planícies fluviais, sujeitas a inundações nos períodos de cheia. Geologicamente, essas planícies possuem depósitos de areia e cascalho intercalados com rochas sedimentares pelíticas, com origem no período Quaternário, estando o restante do município no Grupo Barreiras, constituído por sedimentos de argila, arenitos e siltito formados no período Terciário Superior, envolvidas por coberturas arenosas coluviais indiferenciadas.[9]

O solo predominante é o latossolo, do tipo vermelho-amarelo distrófico, bastante drenado e profundo, poroso e apresentando textura média, com teores equilibrados de areia, argila e silte, porém pouco fértil. Nas margens do rio Trairi estão os solos aluviais, com textura formada pela mistura de areia e argila e, em comparação aos latossolos, são mais férteis, porém menos drenados e com profundidade inferior.[9] Também existe uma pequena área de areia quartzosa distrófica a nordeste.[10] Tanto este quanto os solos aluviais constituem os neossolos na nova classificação brasileira de solos, enquanto os latossolos permaneceram com a denominação.[11]

São José de Mipibu encontra-se em uma área de transição entre os biomas da Mata Atlântica e caatinga, possuindo 81% do seu território inserido no primeiro e os 19% restantes no segundo.[12] A Mata Atlântica, de maior porte, apresenta-se sob as formas de floresta subperenifólia (cujas espécies possuem troncos delgados e um grande número de folhas) e campos de várzea (nas várzeas úmidas, constituídas por espécies de herbáceas, como o junco e o periperi).[9] Parte do território mipibuense está na Área de Proteção Ambiental Bonfim-Guaraíras, criada por decreto estadual em 22 de março de 1999.[13] Esta unidade de conservação cobre uma área de 42 mil hectares e abrange partes dos municípios de Arez, Goianinha, Nísia Floresta, São José de Mipibu, Senador Georgino Avelino e Tibau do Sul.[14]

Cortado pelos rios Araraí, Cajupiranga, Trairi e Urucará, São José de Mipibu possui 61,81% de seu território na bacia hidrográfica do rio Trairi e os restantes 38,19% na bacia do rio Pirangi. A hidrografia local também é marcada pelos riachos do Brejo, Defuntos, Mendes, Pinho e Taborda, além das lagoas Jacaracica e Passagem dos Cavalos. O clima, por sua vez, é o tropical chuvoso, com regime de chuvas concentrado nos meses de outono-inverno.[9] Desde novembro de 2018, quando a EMPARN instalou uma estação meteorológica automática no município, na sede do Centro de Treinamento da EMATER (CENTERN), a menor temperatura ocorreu nos dias 29 de outubro de 2019 e 25 de agosto de 2020, com mínima de 18,6 °C, e a maior em 22 de março de 2020, com máxima de 35,3 °C.[15] Em 28 de novembro de 2023, o pluviômetro automático do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) registrou um acumulado recorde de 377,3 mm de chuva em 24 horas,[16] fora do período chuvoso.

Mais informação Dados climatológicos para São José de Mipibu, Mês ...
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Demografia

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Perspectiva
Mais informação Crescimento populacional, Censo ...

No censo de 2022, São José de Mipibu era sendo o décimo município mais populoso do Rio Grande do Norte e o 765° do Brasil,[1] com 47 286 habitantes (1,2555% da população estadual), mais da metade (45,84%) residindo na zona rural. Do total, 50,11% eram do sexo feminino e 49,89% do sexo masculino,[20] resultando em uma razão aproximada de 99,56 homens por cem mulheres.[21] Em relação à faixa etária, 64,15% tinham entre 15 e 64 anos, 28,62% menos de quinze anos e 7,23% acima dos 65 anos.[22] A densidade demográfica chegava a 137 hab/km².[1]

Na pesquisa de autodeclaração do censo, 61,52% dos habitantes se consideraram pardos, 33,41% brancos, 4,59% pretos, 0,72% amarelos e 0,02% indígenas.[23] Com relação à nacionalidade, todos os habitantes eram brasileiros natos,[24] sendo 62,23% do total naturais do município (dos 93,39% nascidos no estado).[25] Dentre os naturais de outras unidades da federação, os estados com maior percentual de residentes no município eram a Paraíba (2,36% da população), Pernambuco (1,15%) e São Paulo (0,97%), havendo naturais de outros quinze estados e do Distrito Federal.[26]

Ainda segundo o mesmo censo, 78,46% da população eram católicos apostólicos romanos, 13,9% protestantes, 6,47% não seguiam nenhuma religião e 0,09% não sabiam sua preferência religiosa. As outras denominações existentes somavam 1,08%.[27] Na Igreja Católica, a paróquia de São José de Mipibu é uma das mais antigas da Arquidiocese de Natal, criada em 22 de fevereiro de 1762, tendo como padroeiros Sant'Ana e São Joaquim.[28] Dentre os credos protestantes/reformados, destaca-se a Assembleia de Deus, que abrangia 5,45% dos habitantes, seguida pela Igreja Universal do Reino de Deus (1,14%) e pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (1,06%).[27]

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era 0,611, estando na 71ª posição a nível estadual e na 3 884ª colocação a nível nacional. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,748, o valor do índice de renda é 0,599 e o de educação 0,508. Em 2010, 60,51% da população viviam acima da linha de pobreza, 20,9% abaixo da linha de indigência e 18,59% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos acumulavam 59,02% do rendimento total municipal, enquanto os 20% mais pobres apenas 2,4%, sendo o valor do índice de Gini, que mede a desigualdade social, igual a 0,576.[29][30]

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Política e administração

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A administração municipal se dá por dois poderes, independentes e harmônicos entre si, O executivo e legislativo, o primeiro exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O legislativo é representado pela câmara municipal, que elabora e vota leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal, dentre suas atribuições. A câmara possui treze vereadores e sua sede é o Palácio Abel Izaías de Macêdo. Tanto o prefeito quanto os vereadores são eleitos pelo voto direto em eleições realizadas a quatro anos.[31]

De forma independente dos poderes, existem alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Controle e Acompanhamento Social do FUNDEB, Cultura, Direitos da Criança e do Adolescente, Direitos do Idoso, Educação, Habitação, Meio Ambiente, Saúde, Transporte e Tutelar.[32][33][34] São José de Mipibu se rege por lei orgânica, promulgada em 3 de abril de 1990,[31] e possui uma comarca do poder judiciário estadual, de entrância inicial.[35] Pertence à sétima zona eleitoral do Rio Grande do Norte, possuindo, em dezembro de 2020, 26 825 eleitores registrados, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), equivalente a 1,14% do eleitorado potiguar.[36]

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Infraestrutura básica

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O serviço de abastecimento de água de São José de Mipibu é feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE),[37] e a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica é a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN), do Grupo Neoenergia, presente em todos os municípios do Rio Grande do Norte.[38] A voltagem nominal da rede é de 220 volts.[39] Em 2010, o município possuía 90,89% de seus domicílios com água encanada,[40] 98,62% com eletricidade[41] e 77,98% com coleta de lixo.[42]

Em 2017, na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), a rede de abastecimento de água da cidade tinha 91 quilômetros de extensão, com 9 918 ligações ou economias, das quais 9 415 residenciais. Em média eram tratados 4 211 m³/dia, sendo que 3 355  chegavam aos locais de consumo, resultando em um índice de perdas de 20,3%. O índice de consumo per capita chegava a 338,3 litros diários por economia.[43]

O código de área (DDD) de São José de Mipibu é 084[44] e o principal Código de Endereçamento Postal (CEP) é 59182-000.[45] Há cobertura de quatro operadoras de telefonia na cidade: Claro,[46] Oi,[47] TIM[48] e Vivo,[49] todas com tecnologia em até 4G. No último censo, 71,64% dos domicílios tinham apenas telefone celular, 8,42% celular e telefone fixo, 1,05% apenas o fixo e 18,89% não possuíam nenhum.[50] A frota municipal no ano de 2020 era de 13 927 veículos, a maior parte formada por automóveis e motocicletas.[51] Por São José de Mipibu passa a rodovia federal BR-101,[52][53] que atravessa a Grande Natal, além das rodovias estaduais RN-063 e RN-315.

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Referências

  1. IBGE. «Brasil / Rio Grande do Norte / São José de Mipibu». Consultado em 28 de julho de 2021
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). «IDHM Municípios 2010». Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2013. Cópia arquivada em 28 de dezembro de 2016
  3. IBGE. «Produto Interno Bruto dos Municípios». Consultado em 2 de janeiro de 2025
  4. «Distância de São José de Mipibu a Natal». Consultado em 28 de julho de 2021
  5. Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA-RN) (2008). «São José de Mipibu» (PDF). Consultado em 28 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 28 de julho de 2021
  6. JACOMINE, 2008, p. 178.
  7. EMPARN. «Relatório de variáveis meteorológicas». Consultado em 17 de fevereiro de 2022
  8. INMET. «Mapa de estações». Consultado em 18 de maio de 2025
  9. IBGE. «Evolução da população, segundo os municípios» (PDF). Consultado em 30 de julho de 2021
  10. «São José de Mipibu, RN». Consultado em 30 de julho de 2021
  11. IBGE (2010). «Tabela 1497 - População residente, por nacionalidade». Consultado em 30 de julho de 2021
  12. IBGE (2010). «Tabela 2094 - População residente por cor ou raça e religião». Consultado em 30 de julho de 2021
  13. «ODS 01 Erradicação da pobreza». Consultado em 30 de julho de 2021
  14. «ODS 10 Redução de desigualdades». Consultado em 30 de julho de 2021
  15. IBGE. «MUNIC - Perfil dos Municípios Brasileiros 2017». Consultado em 30 de julho de 2021
  16. IBGE. «MUNIC - Perfil dos Municípios Brasileiros 2018». Consultado em 30 de julho de 2021
  17. IBGE. «MUNIC - Perfil dos Municípios Brasileiros 2019». Consultado em 30 de julho de 2021
  18. «SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto». Consultado em 30 de julho de 2021. Arquivado do original em 9 de junho de 2011
  19. «COSERN». Consultado em 30 de julho de 2021. Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2021
  20. Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) (11 de março de 2016). «Tensões Nominais». Consultado em 30 de julho de 2021
  21. IBGE (2017). «Pesquisa Nacional de Saneamento Básico». Consultado em 30 de julho de 2021
  22. «Busca CEP». Consultado em 30 de julho de 2021
  23. «Mapa de cobertura Claro». Consultado em 30 de julho de 2021
  24. «Mapa de Cobertura». Consultado em 30 de julho de 2021
  25. «Mapa de Cobertura». Consultado em 30 de julho de 2021
  26. «Área de cobertura». Consultado em 30 de julho de 2021
  27. IBGE (2020). «Frota de veículos». Consultado em 30 de julho de 2021
  28. LOPES, Wagner (13 de fevereiro de 2009). «Lote da BR-101 sob responsabilidade do Exército é o mais avançado». Consultado em 30 de julho de 2021. Cópia arquivada em 30 de julho de 2021

Bibliografia

JACOMINE, Paulo Klinger Tito. A nova classificação brasileira de solos. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, v. 5, p. 161-179. Recife: 2008.
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Ligações externas

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