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Moxico
província de Angola Da Wikipédia, a enciclopédia livre
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Moxico é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região leste do país. Sua capital está na cidade de Luena.[2]
Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 854 258 habitantes e área territorial de 223 023 km².
Moxico compreende os municípios de Alto Cuito, Cangamba, Cangumbe, Chiume, Camanongue, Léua, Lucusse, Luena, Lutembo, Lumbala Guimbo, Lutuai e Ninda.[2]
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Etimologia
A palavra Moxico deriva de "Muxiko", uma espécie de cesto que servia para o transporte de víveres e armas de resistência anti-colonial. Com o tempo o soba local passou a utilizar para si o termo Muxiko, dando a entender, segundo o historiador Francisco Chiwende, que "era o receptáculo de todas as questões da sua jurisdição".[3] Os portugueses deram então àquela região, tributária do reino Lunda, o nome de "terras do Moxico", inicialmente somente equivalente ao Moxico-Velho, mas com o tempo como sinônimo de todo o território entre o Zambeze e o Lungué-Bungo.
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História
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Perspectiva

Antes da efetiva ocupação colonial portuguesa, as terras de Moxico eram território de vários povos bantos, destacadamente das etnias chócue, lunda e ganguela, havendo também algumas frações de lubas. Esses quatro povos começaram a se organizar politicamente no século XVI.
Organização política
A região leste de Angola, assim como parte da República Democrática do Congo e Zâmbia, foi unificada, em 1590, sob a égide do rei Muanta Gandi, que formou o reino Lunda, um poderoso Estado pré-colonial que tinha inicialmente sede em Mussumba, atualmente no sul do Congo.[4]
O Estado Lunda acabou por tornar-se, no século XVII, o Império Lunda (1º império), que por fim esfacelou-se em vários Estados confederados em virtude de inúmeras guerras pelo trono da rainha Lueji A'Nkonde. O seu principal ente confederado substituto foi Reino Lunda-Chócue, que tinha sede em Luena e zona importante em Saurimo. O próprio Reino Lunda-Chócue costurou a formação de um 2º Império Lunda, em meados do século XIX.[5][6]
As potências colonias, Bélgica, Grã-Bretanha e Portugal, não aceitaram a formação dessa nova unidade imperial, fazendo diversas incursões militares na região, até que, como resultado da Conferência de Berlim, procederam a divisão definitiva dos lundas, extinguindo-se o Reino Lunda-Chócue.[5]
Colonização
Conhecida inicialmente pelo nome de "região Luvale", o primeiro português que viajou de Benguela para as terras moxiquenses foi José de Assunção e Melo, em missão comercial, em 1794.[3]
A efetiva expedição de ocupação portuguesa só aconteceu em março de 1895, após o tratado que firmou o Protetorado Lunda-Chócue. A missão foi chefiada pelo tenente-coronel Trigo Teixeira. Nesta expedição o militar transferiu definitivamente o Moxico-Velho para aonde está assentada a capital Luena.[3] Um dos últimos reinos da região a ser subjugado por Portugal foi o reino Bundalândia, após a derrota do rei Mwene Mbandu Kapova I, em 1914.
Entre o final do século XIX e o início do século XX diversas expedições foram feitas para estudar a área e construir o monumental Caminho de Ferro de Benguela, que marcou profundamente a região, interligando-a definitivamente com o resto da Colônia de Angola.[3]
Formação administrativa
Pelo decreto-lei nº 3365/17, de 15 de setembro de 1917, foi criado o "distrito do Moxico", a partir de território desmembrado do distrito de Benguela, assentando capital na até então chamada "vila do Moxico" (atual Luena).[3]
Período das guerras
Em 1966 o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) abriu a exitosa "Frente Leste" (FL), expandindo significativamente o alcance das operações nacionalistas do partido em Angola. Ao final de 1967 a província já está praticamente sob total controle do movimento, dando oportunidade de lançar ataque nas terras das províncias Lundas, no leste do Bié e no Cuando-Cubango.[7]
Em 1973 a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com o apoio do regime sul-africano do apartheid, inicia uma intensa campanha militar no leste, com vistas a tomar as áreas sob domínio do MPLA, conseguindo estabelecer posições em Cangonga, Cangumbe, Chicala, Samafo e Serpa Pinto (Menongue), conseguindo ocupar Luena em 1975, já dentro da Operação Savana, na Guerra Civil Angolana. A cidade permaneceu sob domínio estrangeiro por dois meses.[7]
Em 10 de dezembro de 1975, um mês após a proclamação da Independência Nacional, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) abandonaram a capital da província do Moxico e recuaram em duas colunas, uma rumo ao Luau e a outra que estabeleceu-se em Ambuíla. Entre 14 e 15 de fevereiro de 1976, dentro da operação Carlota, que tinha o apoio das Forças Armadas de Cuba, as FAPLA reconquistaram Luena e, até o final de fevereiro, o restante da província.[7]
Pós-guerras a atualidade
Maior província em área territorial de Angola, Moxico foi afetada pela reforma admistrativa-territorial de 2024, cedendo parte de seu território para formar a província de Moxico Leste.[2] Antes da reforma admistrativa-territorial, seu tamanho era comparável a países como Romênia, Laos ou Guiana.[1]
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Geografia
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Perspectiva
A província de Moxico é limitada ao norte pela província de Lunda Sul, ao leste pela província de Moxico Leste, ao sul pelo Cuando e pelo Cubango e, ao oeste pelo Bié.[2]
Clima
Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger predomina na província, o clima subtropical úmido (Cwa), com uma média anual de temperatura que varia entre os 22°C e os 24°C.[8]
Demografia
O perfil demográfico e populacional provincial é construído principalmente pelas etnias dos chócues e ganguelas,[9] havendo também relevantes contingentes de ovimbundos, lundas e ambundos, além de outros grupos etnolinguísticos menores como vambundas,[10] e de origens miscigenadas, como luso-angolanos, ango-brasileiros[11] e quinxassa-congoleses.[12]
Ecologia, flora e fauna
Domina a maior parte da paisagem da província, isto é, o centro, o norte, o oeste e o sul moxiquense, a ecorregião das "florestas de miombo angolanas",[13] com flora de savana de folha larga decídua úmida e floresta com domínio de miombo, além de pastagens abertas.[14] Por fim, na planície de inundação de Barotse-Liuva, no leste e sul moxiquense, há a apresença da ecorregião das "pastagens da Zambézia Ocidental", com imensas zonas pantanosas e de vegetação herbácea latifoliada aberta com arbustos.[15]
Hidrografia
Os principais cursos d'água da província são: os rios Lungué-Bungo, Luanguingo e Luena, que correm no sentido noroeste-sudeste, cortando quase toda a extensão territorial moxiquense, e; o rio Cuando, de sentido norte-sul. Outros importantes reservatórios de água são os lagos Liassa, Capaco, Banda Licolocolo, Libala, Uito, Cachucue, Caueza e Chitala, além de uma miríade de menores lagos e lagoas das planícies de Barotse-Liuva, ao sudeste.[10]
Relevo
A fisiologia moxiquense é dominada por duas zonas principais, sendo: o Planalto Central de Angola entre o noroeste, oeste e sudoeste, incluíndo os altiplanos das Areias Húmidas e das Areias Secas e as Escarpas do Bié, e; as planícies de Barotse (bem como suas extensões Liuva, Luena e Lungué-Bungo), ao sudeste e centro.[10]
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Economia
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Perspectiva
Historicamente a agricultura constitui a base do desenvolvimento socioeconômico da província, havendo, desde o fim da Guerra Civil Angolana um incremento de atividades vinculadas à indústria, comércio e serviços.[16]
Agropecuária e extrativismo
O Moxico possui produção de lavoura temporária assentada em massango, batata-doce, girassol, vielo, arroz, mandioca e milho. Já na lavoura permanente registra-se a produção de citrinos e goiabas.[17]
No subsetor da pecuária, a província é um dos centros nacionais especializados em produção de carne e leite, havendo rebanhos bovinos, ovinos, caprinos e suínos. Igualmente para a produção de carne, conjugada com ovos, existe a criação de galináceos.[17]
Há um grande excedente obtido pela pesca artesanal na região, visto que o Moxico possui diversos rios e lagos. Nas estações chuvosas, esta potencialidade é estendida, visto que muitas regiões da província alagam-se.[17]
Existe certa exploração florestal nos municípios de Moxico, principalmente extraídas de áreas plantadas de eucaliptos e pinheiros. As toras de madeira são exportadas para consumo do litoral e exterior do país, com uma fração utilizada localmente.[17]
Indústria e mineração

Os parques industriais moxiquenses são especializados na agroindústria para transformação de carne, leite e ovos, registrando-se também produção alimentícia, de bebidas, vestuário, de transformação moveleira e de materiais de construção. As áreas de maior concentração industrial estão em Luena e Luau.[17]
Nesta província ainda há extração dos seguintes minérios: carvão, cobre, manganês, ferro, diamantes, ouro, volfrâmio, estanho, molibdénio, urânio e lenhite.[17]
Comércio e serviços
O subsetor comercial assenta sua base em centros atacadistas que distribuem produtos beneficiados e semi-beneficiados às localidades da província, sendo encontra-se concentrado em Luena, Léua e Cangamba.[17]
Já nas atividades de serviços, que incluem centros de saúde, unidades de ensino, postos financeiros, entretenimento, entre outros, a gama de oferta fica concentrada na capital provincial.[17]
Registram-se ainda atividades de serviços vocacionadas à logística, dado que atravessa o Moxico o Caminho de Ferro de Benguela e inúmeras rodovias.[17]
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Cultura e lazer
Há, naturalmente, um forte impacto da cultura introduzida pela antiga potência colonial, Portugal, através de missões cristãs de diferentes obediências, que influenciaram principalmente os aspectos arquitetônicos, os comportamentos sociais e as tradições culturais-religiosas. Neste último caso, por exemplo, as maiores manifestações populares são vistas em procissões religiosas católicas, que ocorrem em todas as localidades moxiquenses.
Em locais de lazer, a província encontra as planícies de Barotse, local muito utilizados para a pesca desportiva em função de seus muitos recuros aquáticos (rios e lagos), albergando espécies vegetais e animais.
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Referências
- Aurelio Schmitt (3 de fevereiro de 2018). «Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018». Revista Conexão Emancipacionista
- «Lei n.° 14/24 de 5 de Setembro» (PDF). Imprensa Nacional de Angola. Diário da República (171): 9800–10505. 5 de setembro de 2024. Consultado em 29 de dezembro de 2024
- Província do Moxico completa 90 anos. Portal Angop. 16 de setembro de 2007.
- Reino Unido da Lunda Tchokwe. Federação dos Estados Livres da África . 2011
- O Reino da Lunda. Portal Geledés. 28 de outubro de 2016.
- Memórias das batalhas que levaram à reconquista da cidade do Luena. Jornal de Angola. 29 de novembro de 2014.
- Clima: Moxico. Climage-data.org. 2022.
- Marks, Shula E.. "Southern Africa". Encyclopedia Britannica, 30 Sep. 2020. Accessed 19 January 2022.
- Jover, Estefanía.; Pintos, Anthony Lopes.; Marchand, Alexandra. (setembro de 2012). Angola: Private Sector Country Profile. (PDF). Reino Unido: Printech Europe/Banco Africano de Desenvolvimento
- Redden, Jack; Martin, Harriet. Thirty years on, UNHCR seeks full integration for Congolese refugees in Angola. UNHCR. 21 de março de 2006.
- World Wildlife Fund, ed. (2001). «Angolan Miombo woodlands». WildWorld Ecoregion Profile. [S.l.]: National Geographic Society. Cópia arquivada em 8 de março de 2010
- Western Zambezian grasslands. DOPA Explorer. 23 de março de 2022.
- Redinha, José. Etnias e culturas de Angola. Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1974.
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Ligações externas
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